A CPI dos Correios conseguiu hoje a autorização da Justiça dos Estados Unidos para ter acesso aos documentos com a quebra do sigilo bancário e fiscal do publicitário Duda Mendonça no exterior. A papelada foi enviada pela promotoria Distrital de Nova York para o Ministério da Justiça e o Ministério Público há três meses. Mas os documentos não foram compartilhados com a CPI dos Correios porque as autoridades norte-americanas temiam o vazamento das informações.

A cúpula da comissão vai solicitar ao Ministério da Justiça e ao Ministério Público a análise já feita nos documentos com a quebra do sigilo da conta Dusseldorf, de Duda Mendonça. Em agosto do ano passado, quando depôs na CPI dos Correios, o publicitário confessou ter recebido nessa conta R$ 10,5 milhões, referentes ao pagamento de parte da campanha de 2002 do PT nacional. Apenas quatro integrantes da CPI poderão consultar a papelada: o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS); o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), e os dois relatores-adjuntos Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Maurício Rands (PT-PE).

Em nota divulgada hoje à noite, o Ministério da Justiça afirma que a decisão das autoridades norte-americanas é "importante avanço na compreensão do papel constitucional das comissões parlamentares de inquérito e marca uma evolução na cooperação entre os dois países para o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro".