A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios vai procurar técnicos que facilitem a interpretação dos dados conseguidos através da quebra dos sigilos telefônicos. O relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), informou que medidas estão sendo tomadas para que se possa "ter uma interpretação correta de todo o sigilo telefônico recebido".

"Virão mais dois técnicos do Banco Central, um do Banco do Brasil e um da Receita Federal. Temos muitos documentos e os cruzamentos não são fáceis, porque é preciso que o técnico se debruce, examine papel por papel, para que não se diga que ele foi insidioso no exame", disse o relator.

O relator reclamou da demora que os bancos e empresas contatados pela CPMI estão levando para enviar documentos. "Do Banco Rural, embora tenhamos insistido a mais de 15 dias (os documentos) junto ao Banco Central, nós não recebemos as origens e os destinos dos grandes movimentos das contas relacionadas a todas as empresas do Marcos Valério", afirmou. Por isso, segundo ele, a CPMI "já pensa de fato" em realizar diligências para buscar e apreender esse material.

O empresário mineiro Marcos Valério de Souza foi apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos operadores do pagamento de mesadas a parlamentares. Quanto ao Banco do Brasil, Serraglio disse que hoje começa a chegar a documentação referente à movimentação financeira do empresário e de suas empresas. Na semana passada, o Banco do Brasil remeteu a documentação à CPMI com o mesmo problema constatado no material do Banco Rural: não havia a origem nem o destino do dinheiro movimentado.

Segundo Serraglio, a comissão encaminhou aos bancos, em 12 de julho, uma planilha com a definição clara do que estava sendo requerido.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o ideal seria que o Banco Rural se antecipasse a uma diligência da CPMI e enviasse todos os documentos que estão incompletos ou que ainda faltam.