A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga denúncias de corrupção nos Correios vai ouvir nesta semana apenas um depoimento: o de Renilda de Souza. Ela é proprietária das duas empresas de publicidade usadas por seu marido, Marcos Valério ? acusado de ser o operador do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares ? para a movimentação de cerca de R$ 30 milhões. O dinheiro seria usado para um suposto pagamento de mesadas a parlamentares, o chamado "mensalão".

Os saques nas duas empresas de publicidade, DNA e SMP&B, estão sendo investigados pela CPMI. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acredita que a esposa do empresário possa trazer novos elementos à investigação. "Ela tem razões de sobra para dizer a verdade. Obviamente, ela foi usada e deve estar indignada com o fato de ter sido usada pelo próprio marido".

O senador diz que ela tomou conhecimento das atividades do marido apenas após denúncias contra ele. "É claro que sabia de coisas que não sabia antes, mas sabe agora. Até sob pressão, provavelmente, o senhor Marcos Valério deve ter dito a ela os caminhos que percorreu para montar esse modelo de corrupção", afirmou.

O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) também afirma que ela não sabia dos negócios do marido. Ele disse que o depoimento de Renilda poderá ser secreto, se necessário. Para ele, é importante avaliar de que forma ela dará mais informações. "O importante são as informações para a CPI. Se o depoimento é público ou secreto, vai depender muito da quantidade de informações que ela possa prestar a partir de como o depoimento acontecer".

Hoje o Supremo Tribunal Federal deve julgar o pedido de habeas corpus preventivo de Renilda de Souza. O habeas corpus preventivo permite que as pessoas prestem seus depoimentos na condição de investigados e não como testemunhas, o que garante o direito dos depoentes de se calarem sempre que a resposta puder incriminá-los. O empresário Marcos Valério e os ex-secretários do PT, Sílvio Pereira e Delúbio Soares, já utilizaram esse recurso.

Para a próxima semana, dia 2, já estão marcados os depoimentos do policial civil de Minas Gerais, David Rodrigues Alves, e Simone Vasconcelos. Simone é funcionária da SMP&B e, como David, sacou grandes quantias das contas da empresa.