Os parlamentares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga denúncias de corrupção nos Correios querem mais agilidade no recebimento de documentos relativos a quebra de sigilo bancário. Para isso, não descartam a possibilidade de fazerem diligências ao Banco do Brasil e Banco Rural, com apoio da Polícia Federal.

"Todos sabemos o que precisamos. Só o Banco do Brasil e o Banco Rural não sabem", disse o deputado Eduardo Paes (PSB-RJ), integrante da CPMI. "Me parece que há uma certa confusão deliberada, ou seja, mandam os documentos, mas sem uma informação. Uma coisa não encaixa com a outra e a resposta para isso é diligência de busca e apreensão. Porque é inadmissível que a CPMI tenha seus trabalhos retardados em razão dessa demora", acrescentou.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse ter esperança que com a pressão pela entrega dos documentos eles cheguem entre hoje e amanhã, mas acredita que ainda faltarão informações. "Acredito que alguns dados faltarão", afirmou. "Temos que continuar com essa pressão, se for necessário busca e apreensão. Mas acredito que nem mesmo busca e apreensão possa reunir todas as informações da verdade", acrescentou.

O senador defendeu ainda a prisão preventiva do empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do suposto pagamento de mesadas a parlamentares. "Houve já incineração de documentos. Houve a montagem de versões, que foram possibilitadas porque ele teve livre trânsito. Ele se locomoveu com facilidade, encontrou pessoas e arquitetou versões", disse.

A CPMI espera receber ainda essa semana do Banco do Brasil o detalhamento da movimentação financeira em contas das empresas de Marcos Valério. Os parlamentares querem saber a origem e o destino da movimentação das contas de Valério.

O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), chegou a admitir, na última semana, estar preocupado com o ritmo de chegada dos documentos. "As informações estão chegando de forma muito lenta e não estão a contento. Parece um jogo combinado. Se fingem de rogados, pedem tempo e as informações não chegam. Eu pergunto: por quê? Será que é só burocracia? Nós temos que tomar medidas duríssimas".