A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas realiza na próxima terça-feira (5) reunião administrativa para votar mais de 130 requerimentos. O presidente da comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), conta com a presença dos deputados durante o esforço concentrado da próxima semana para garantir o quorum da reunião. Até hoje, a CPMI só conseguiu quorum uma vez, para a reunião de votação do relatório parcial.

Para Biscaia, a reunião é imprescindível para definir os próximos passos da CPMI. Ele acredita que será preciso aprovar algumas quebras de sigilo e convocações para novos depoimentos. Mesmo que os depoimentos não sejam marcados para setembro, Biscaia acredita que será possível "fazer uma agenda a partir do dia 2 ou 3 de outubro. E, aí sim, nós vamos ter o segundo relatório, o relatório final, também alcançando os objetivos dessa investigação parlamentar".

Biscaia destacou que será necessário, por exemplo, aprovar a convocação e a quebra de sigilo de Cristianne Mayrink, suposta relações-públicas da Planam, empresa que montou a fraude das ambulâncias. Mas ainda não há requerimentos para essa convocação. Biscaia afirmou que Cristianne Mayrink era vista freqüentemente circulando pelo Congresso e há suspeitas de que ela fizesse os contatos com os parlamentares em nome da Planam.

Vedoin

Na próxima semana, a CPMI também deve ouvir novamente o empresário Luiz Antonio Vedoin, um dos donos da Planam. Biscaia deve aproveitar que Vedoin será ouvido na próxima terça-feira (5) pelo Conselho de Ética do Senado para marcar um encontro do empresário com integrantes da CPMI. Um dos deputados que querem ouvi-lo novamente é o sub-relator que investiga o Executivo, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS).

Biscaia disse ainda que, para as investigações sobre o Executivo avançarem, elas devem contar com o apoio do Ministério Público nos estados. "Vai ser difícil que a CPMI consiga chegar até as prefeituras", reconhece Biscaia, mas adverte que a comissão pode apresentar um quadro que possa ser investigado pelo Ministério Público Federal, por meio das procuradorias regionais. "Não é possível que aqueles que são responsáveis pelos municípios escapem disso ilesos. Eles têm uma parcela grande nesse esquema de fraude e de corrupção", disse o deputado.

Voto aberto

Para Biscaia, também será importante que a Câmara aprove, durante o esforço concentrado da próxima semana, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 349/01, que acaba com o voto secreto no Congresso Nacional. Para isso, ele destacou que será necessário votar as medidas provisórias que trancam a pauta e que o governo retire a urgência de alguns projetos de lei. Biscaia acredita que seria simbólico aprovar a medida a um mês das eleições.