Rio ? Os credores da Varig aprovaram hoje (23), com 95,8% dos votos, o detalhamento do plano de reestruturação da empresa. Para o presidente do fundo de pensão dos funcionários da Varig, Aerus, e maior credor da companhia, Odilon Junqueira, a quantidade significativa de votos favoráveis à aprovação "representa a confiança dos credores na recuperação da Varig".

A assembléia foi realizada na Fundação Rubem Berta, controladora da empresa, no Rio de Janeiro. O presidente da Varig, Marcelo Bottini, também comemorou o resultado. "É muito difícil termos todos os credores alinhados, obter o consenso total dos muitos credores. Mas temos a maioria. Tudo vai se encaixar novamente", afirmou. Bottini disse que o próximo passo da empresa é buscar investidores nacionais e estrangeiros.

De acordo com o plano de reestruturação, a reorganização societária e financeira da companhia aérea será baseada na criação dos Fundos de Investimento e Participação (Fips). A idéia é criar o Fip Controle, que englobará as ações das empresas em recuperação judicial (Varig, Rio Sul e Nordeste). Desta forma, os credores e investidores poderão ter participação acionária na empresa. Também será criado o Fip Crédito, para viabilizar a obtenção de cotas pelos credores, que poderão ser trocadas por ações no Fip Controle.

Os fundos serão geridos por uma instituição financeira "de primeira linha" ainda não definida. Segundo o presidente da Varig, Marcelo Bottini, bancos como o Mellon, Itaú e Bradesco já foram considerados para assumir a gestão dos FIPs. A decisão definitiva, no entanto, só será tomada no dia 13 de março, quando haverá nova assembléia.

O coordenador do Consórcio Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), Marcio Marsillac, disse que os trabalhadores vão recorrer da decisão adotada hoje. Segundo ele, o detalhamento do plano alterou alguns itens aprovados em assembléia realizada em dezembro do ano passado.

De acordo com Marsillac, o texto original previa que o administrador e o gestor do FIP Controle seriam escolhidos em consenso com as três categorias de credores, que são: classe I (trabalhadores da Varig), classe II (credores com garantia, que tem como maior representante o fundo de pensão Aerus) e classe III (credores sem garantia, como Infraero, Petrobras Distribuidora e empresas de leasing). "A maneira de dar equilíbrio era escolher em comum acordo. Eles mudaram e agora a escolha pode se dar por maioria. Houve alteração". Para ele, isso traz uma instabilidade jurídica ao plano.