A produção industrial brasileira registrou em julho crescimento de 0,5%, o quinto consecutivo do ano. A taxa acumulada em sete meses é de 7,8%, acima do resultado do primeiro semestre (7,5%). Em relação a julho de 2003, o aumento na produção global da indústria chega a 9,6%. No acumulado de 12 meses, a taxa passou dos 3,9% em junho para 5,0% em julho. Os números, divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são os melhores do setor desde 2002, quando teve início a série histórica da Pesquisa Industrial Mensal.

Para o coordenador de Indústria do IBGE, Sílvio Salles, os números continuam mostrando o impacto positivo do crescimento da produção de bens de consumo duráveis, com destaque para os veículos, e de bens de capital (máquinas e equipamentos), além do impulso das exportações. Salles destacou que a produção de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, mais sensíveis à evolução dos rendimentos do trabalhador, também está em ritmo de recuperação, ainda que ?de forma bem mais moderada?.

?Além das exportações como um foco de dinamismo à produção, temos o comportamento do setor agrícola. Mais recentemente, houve também os estímulos que vêm da demanda interna, refletindo, num primeiro momento, na produção de bens duráveis e agora atingindo setores de não-duráveis, como é o caso do sub-setor de alimentos e bebidas?, acrescentou Salles.

Para o economista do IBGE, a expectativa de aumento na taxa básica de juros (Selic) na próxima semana deve causar impacto nas compras a crédito. ?Se vai haver um aumento de juros é porque estaria havendo um aumento de preços e isso, para o clima geral dos negócios, acho que seria um fator talvez preocupante?, disse.