Duas notícias da área econômica foram manchetes na semana passada: a elevação do índice de desemprego, principalmente na Grande São Paulo, e a retração do PIB no primeiro trimestre do ano. O desemprego subiu acima dos 20% da PEA, considerados os trabalhadores que, na semana anterior à pesquisa, estavam em busca de trabalho. As autoridades consideram que o número não é preocupante. Pode não sê-lo para o governo, mas é aflitivo para os desempregados e esse é um drama em que as estatísticas servem como indicativo. Nunca como lenitivo.

Já sustentamos que a aflição dos desempregados e dos empregados que se sentem ameaçados de dispensa seria suportável, houvesse um seguro-desemprego de mais longa duração e de valor mais consentâneo com as necessidades dos trabalhadores. Apoiamos a reivindicação, nesse sentido, das centrais sindicais, mas o governo apressa-se em descartar a idéia, preferindo reativar planos que chama de positivos, voltados à criação de trabalho. Como se ambos – o seguro-desemprego consistente e os projetos de geração de empregos – pudessem se substituir. Precisamos de ambos ao mesmo tempo, para sonharmos com uma sociedade que cresça sem amedrontadoras turbulências.

A queda do PIB, no trimestre, foi de 0,73%. Tal número negativo não assustou o mercado e os analistas. Pelo contrário, surpreendeu positivamente, pois esperavam uma queda superior a 1%, levando em consideração que nos meses anteriores projetava-se redução crescente. Ainda são reflexos da retração mundial posterior ao 11 de setembro (atentados nos Estados Unidos), da crise de energia elétrica e da quebra da Argentina. E ainda se acrescentem as expectativas de um ano eleitoral, que, para o setor produtivo, nem sempre são positivas, os ânimos respondendo aos resultados das pesquisas eleitorais. E isto aqui, dentro do Brasil e lá fora, de onde captamos a maior parte dos recursos de que necessitamos.

As chamadas classes produtoras, em encontros com os pré-candidatos à sucessão de Fernando Henrique Cardoso, têm declarado confiança, mas a verdade é que muitos empresários estão retardando iniciativas, à espera do que virá, sempre uma incógnita, apesar das promessas positivas de todos os pretendentes à chefia da nação.

Segundo o professor de Economia da Unicamp Márcio Pochmann, que é também secretário do Trabalho da Prefeitura de São Paulo, o País precisa crescer de 6% a 7% ao ano para conseguir reverter o quadro atual de desemprego. Esse desejado índice de crescimento poderia gerar l,6 milhão de empregos por ano, reduzindo o número atual de desempregados e abrindo vagas para os candidatos ao primeiro emprego.

Sabemos, assim, o que acontece e o que deveria acontecer. O problema é como reverter essa situação. Aí, só com desenvolvimento, o que se faz com investimentos. Investimentos externos diretos, que escasseiam neste período pré-eleitoral. E investimentos com recursos internos, que não temos porque não são de nossa vocação, como diz Gianetti da Fonseca, professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais. A maior parte da poupança interna existente no Brasil, pequena para as nossas necessidades, não vai para o mercado de capitais e, sim, para o de empréstimos. Não somos sócios do nosso desenvolvimento e os impostos que pagamos cobrem déficits e saldam juros. Um sólido mercado interno de capitais parece ser a única salvação.