A Polícia Federal do Pará prendeu o fazendeiro José Dias Pereira, o maior destruidor de floresta nativa do País. Um criminoso ambiental de fazer inveja aos personagens mais cruéis da ficção. Pereira, que carrega um sobrenome de árvore, derrubou nada menos de dois milhões delas na chamada Terra do Meio, uma das reservas florestais ainda intactas na região sudoeste do referido estado.

Como sabem todos, na Terra do Meio, palco de conflitos intermináveis entre pequenos produtores rurais extrativistas e grileiros, ocorreu o assassinato de sua defensora, a religiosa norte-americana naturalizada brasileira irmã Dorothy, cujos autores, mesmo identificados e presos, até hoje não foram condenados.

A devastação bancada por José Dias Pereira, um autêntico ?dendrocida?, abrangeu a área de 6.852 hectares de mata nativa, reserva utilizada pelos povos da floresta para garantir a sobrevivência de suas famílias. Trata-se do maior crime ambiental jamais cometido no País.

Uma atrocidade que deve ser punida com o máximo rigor da lei, além da pesada multa de R$ 20 milhões imposta sobre o insano predador do patrimônio natural. Mesmo acatando o princípio constitucional de amplo direito à defesa, a sociedade augura justiça de igual ou superior intensidade à do crime abominável. Um bom castigo seria obrigar Pereira a replantar tantas árvores quanto as que derrubou.