O candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que a crise de segurança que atinge o Estado de São Paulo (proveniente dos ataques em série do PCC) é um problema que ocorre em todas as grandes cidades do País. "Estou rodando o País inteiro e a primeira coisa que vejo nos jornais é o desastre da segurança. E se é um problema nacional, é um problema do presidente da República", reiterou ele, em entrevista concedida hoje às emissoras de rádio da rede Bandeirantes.

O candidato disse que se for eleito em outubro dará prioridade a este setor. "Este é um problema nacional, todas as grandes cidades brasileiras têm este grave problema. Eu não vou me omitir, vou liderar este trabalho (caso seja eleito), vou dizer que é uma tarefa minha e colocar dinheiro, liberar em janeiro o dinheiro dos fundos de segurança e penitenciário", emendou.

Além de jogar a responsabilidade da questão para o governo do presidente Lula, Alckmin disse que na sua gestão no governo de São Paulo, "foi feito um grande trabalho neste setor". E citou a retirada de 90 mil criminosos das ruas, o fim do Carandiru, a criação da penitenciária de segurança máxima e do regime disciplinar diferenciado (RDD) e a ampliação do sistema penitenciário. "Só eu construí mais 70 unidades prisionais", exemplificou. E tentou justificar os ataques do PCC no Estado sob o argumento de que os líderes do crime organizado querem jogar a opinião pública contra o governo porque querem deixar o regime diferenciado. "Temos de ser firmes e não retroceder para enfraquecer o crime organizado.

E voltou a criticar o governo Lula. "Por trás disso está o tráfico de drogas e de armas e a lavagem de dinheiro. É obvio que é falta de polícia de fronteira, é óbvio. A atribuição de combate ao tráfico de drogas e de armas é do governo federal, das forças armadas e da Polícia Federal", complementou.

O candidato evitou entrar na polêmica criada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro, nomeado em sua gestão, que acusou o PT de estar vinculado ao PCC nesses ataques. "Vamos aguardar o PT processar e ele (Saulo) vai apresentar as provas", destacou o candidato na entrevista. E continuou: "Não vou comentar (as acusações do secretário de Segurança Pública) porque não tenho acesso a provas e a documentos.

Apesar disso, questionou qual seria a lógica dos bandidos em sair atirando, jogando bombas no Ministério Público e ateando fogo em ônibus: "A lógica do bandido é roubar e ter o maior benefício possível com o menor risco. Qual a lógica de sair dando tiro e jogar bomba no prédio do MP e por fogo em ônibus? Eles não ganham nada com isso. Por quê estão fazendo isso? Não tem a menor lógica.