Primeiro ministro da Educação do governo Lula, o senador Cristovam Buarque (DF) anuncia, nesta segunda-feira, à tarde, com um discurso em plenário, seu desligamento do PT, confirmou há pouco sua assessoria. Cristovam fará, no mesmo discurso uma homenagem ao presidente do PSB, Miguel Arraes, que morreu sábado.

Em conversa com jornalistas no sábado, Cristovam disse que ficará sem partido, trabalhando pela criação de uma "grande" frente de esquerdas" no Brasil. Ele não descarta a idéia de, futuramente, vir a aceitar o convite para ingressar no PPS ou PDT. Mas não antes de passar por uma fase "independente, sem partido".

O desgaste do senador com o governo não é de hoje. Começou com a sua demissão do ministério em janeiro de 2004, quando participava de compromissos oficiais em Lisboa. O presidente Lula avisou, por telefone, que ele estava fora da equipe, dias depois de lhe assegurar que não mexeria em seu cargo.

Desde então, no exercício do mandato no Senado, Cristovam é tido como um petista "pouco confiável" pelo Planalto. Sua decisão amadureceu na sexta-feira, depois de avaliar que o discurso do presidente Lula foi "frustrante".