O senador Cristovam Buarque (PT-DF) fez hoje o primeiro pronunciamento no Senado, 100 dias depois de assumir o mandato, após ter ocupado, por um ano, o Ministério da Educação. O senador brasiliense cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “a falta de definição do legado” que deseja deixar com o seu governo.

“O presidente Lula tem o imenso desafio de definir o legado que nos quer deixar para as futuras gerações, e de ao mesmo tempo reorientar a lógica como um novo Brasil será construído”, afirmou o senador.

No seu entendimento, o legado do governo Lula deve ser “abolir a lógica da aceitação da moderna forma de escravidão, chamada exclusão social, a lógica de que não podemos esperar o crescimento econômico para garantir escola a cada criança brasileira”.

Cristovam disse que a sensação destes 100 dias é de que o governo não está caminhando no sentido das mudanças que propôs em 2002. “Agora mesmo quando se fala em redução do superávit fiscal, o governo pensa em investir apenas na infra-estrutura econômica, nos setores que a velha lógica diz ser rentável. Porque educação e saúde do povo não é vista como rentáveis e, sim, descartáveis”, questionou o senador petista.

O senador Cristovam Buarque fez um apelo ao presidente Lula para que saia do “pequeno círculo que o rodeia e aprisiona”. E sugeriu que Lula abra um diálogo com a oposição. “Em novembro de 1998, tive o prazer de acompanhá-lo a um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Faça o mesmo agora, o senhor como o morador da casa”.

Aos senadores, Cristovam Buarque lançou o desafiou para que assumam suas responsabilidades no combate ao desemprego, à violência e a educação sem qualidade. “Cento e quinze anos atrás partiu do Parlamento a Lei da Abolição; cinco anos atrás partiu deste Senado, por sugestão do senador Antônio Carlos Magalhães, a criação do Fundo para a Erradicação da Pobreza, que levou o governo Fernando Henrique a criar o mais ambicioso programa social da história do Brasil, que foi o Bolsa Escola”, lembrou.

Seu último apelo foi dirigido ao povo, especialmente aos jovens. Ele considera necessário que os estudantes mobilizem-se e tomem as ruas para cobrar do governo Lula “o legado” que deve deixar ao país. “É hora de irmos às ruas em um grande movimento contra a apartação, contra a vergonha da desigualdade, por um programa de garantia do essencial a todos os brasileiros”, ressaltou.