Na manhã desta terça-feira (23), durante a sessão ordinária remota da Câmara Municipal, a secretária da Saúde Márcia Huçulak prestou contas da secretaria e comentou sobre a situação atual da pandemia de covid-19 em Curitiba.

Huçulak alertou os vereadores sobre a atual situação da pandemia em Curitiba. “A gente está a frente de uma nova onda [de covid-19], provavelmente a terceira onda. Acabamos de receber a informação de que o Hospital do Rocio está lotado, não recebe mais paciente nenhum. Isso significa que mais gente da RMC virá para Curitiba. Estamos a frente de um novo desafio”, comentou.

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Para manter o controle da pandemia, a secretária prometeu ativar mais leitos exclusivos para coronavírus, mas não descartou a possibilidade de transferir pacientes para outras cidades, caso seja necessário. “Acudimos Manaus e Rondônia e parece que agora chegou a nossa vez. O pós-carnaval mostrou a sua cara. O problema é que tem gente que tem muita dificuldade com a Bandeira Amarela, as pessoas acham que é o mundo normal, sem pandemia”, revelou.

Sem vacina contra covid-19 à vista

Desanimada com a chance de vacinação contra o coronavírus em grande escala nos próximos meses, Márcia Huçulak explicou que Curitiba depende do Governo Federal para aquisição de doses. “As duas milhões de doses que chegaram no Brasil não é nada. Devemos receber 10 mil doses, o que para Curitiba é irrisório”, lamenta.

A meta da prefeitura, segundo a secretária, é vacinar todos os curitibanos. A tarefa, no entanto, tem parecido bem complicada. “Não há vacina porque a produção do Butantan foi toda requisitada pelo Governo Federal. Não tá para venda, assim como a Fiocruz que não vende vacina. A Pfizer acabou de receber registro no Brasil, mas não há acordo para venda porque o Governo Federal não aceitou as condições da Pfizer. Não tem vacina pra comprar”, disse.

A secretária confessou que adoraria ter vacinado todos os professores antes do retorno às aulas, que aconteceu na semana passada. “Eu não tenho vacina. Eu não tenho essa disponibilidade de usar vacina que veio para idosos de 90 anos ou mais e vacinar esse grupo. Nossa meta é vacinar todos, mas infelizmente estamos na mão do Governo Federal”.

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“Todo mundo se acha no direito de ser o primeiro a ser vacinado”

Durante a sessão, a Huçulak defendeu a ordem de prioridade de vacinação utilizada pela Prefeitura e pelo Governo Federal. “Todo mundo se acha no direito de ser o primeiro a ser vacinado contra o covid-19. Mas não dúvida que o profissional de saúde esteja como prioridade. Nós vamos requisitá-los se precisarmos abrir mais leitos. Nós temos hoje um decreto, que é de 2020, que diz que podemos requisitar quem nós precisarmos. Com certeza esse profissional de consultório médico, se a gente precisar dele, ele precisa estar vacinado”.

Outra prioridade apontada por Huçulak é com relação a vacinação de idosos. “80% das mortes são de idosos. São os que mais internam, os casos mais graves. 89% dos óbitos estão acima dos 60 anos, é esse grupo que precisa ser prioridade absoluta. tem muita bobagem sendo dita, de que não tem critério. Nós seguimos a ciência, a medicina segue a ciência. Não é fake news, não é Facebook, nem Instagram”.