Diversos cartazes convidando pedestres para olharem pela janela e ainda o som de viaturas e de vidros quebrando chamaram a atenção de quem caminhava pela Rua Barão do Rio Branco, no Centro de Curitiba. A ação aconteceu na tarde desta segunda-feira (3) em frente ao antigo prédio da Polícia Civil na altura do número 174, onde hoje existem duas grandes fachadas abandonadas escondendo a depredação em seu interior.

Durante a ação, realizada por estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná e por profissionais da área, muitas pessoas como o aposentado Newton Pacheco se aproximaram do edifício e se assustaram com a parte interna do local. “Eu era delegado e trabalhei durante a década de 90 no segundo andar deste prédio. Ele era muito bonito, tinha paredes e assoalho de madeira”, contou.

No entanto, o que ele viu ao olhar pelos vidros quebrados foi bem diferente, pois a estrutura dos casarões está completamente destruída e tomada pelo mato. Os telhados caíram, os pisos não existem mais e é possível identificar três veículos abandonados no meio do cenário. “O andar em que eu trabalhei nem existe mais porque já caiu. Fico chateado de saber que hoje a chefia da polícia trabalha em um local alugado, sendo que antes ela estava muito bem colocada em sua sede própria”, lamenta.

Assim como ele, a arquiteta Danielli Wal, 32, também gostaria de ver o local reformado e trazendo benefícios à população. “Poderia ser uma creche, um posto de saúde ou uma moradia social, até porque é uma unidade de interesse de preservação e, por isso, deveria estar em condições bem diferentes”.

O projeto

Ainda segundo a arquiteta, ela e os colegas responsáveis pela iniciativa fazem parte de um grupo chamado Coletivo de Arquitetura e Design Ponto 41, que identifica diversos “vazios urbanos” da capital para apresentar em uma exposição dia 24 de maio no Museu Municipal de Arte (Muma).

Em março, a equipe também reuniu mais de 60 pessoas em um piquenique noturno no calçadão da XV para o mesmo trabalho. “Faremos mais duas intervenções pela cidade e esperamos que as autoridades competentes tomem providências a respeito dessas situações porque o abandono de prédios como esse da antiga sede da polícia geram revolta e também insegurança no entorno”, pontua Danielli.