Depois da morte de um ciclista de 20 anos no começo desta semana no Mossunguê, em Curitiba, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) mobilizou suas equipes para fazer uma ação de conscientização do uso das canaletas, principalmente alertando contra o hábito de “pegar rabeira” nos coletivos. Segundo quem trabalha com o transporte público, os motoristas têm lidado cada vez mais com situações parecidas com a que tirou a vida do rapaz, e o problema se estende por todo o trajeto de canaletas da cidade.

Embora os dados de acidentes envolvendo ciclistas sejam escassos, os representantes do sindicato informaram que registram quase cinco acidentes por semana. “Varia bastante, porque o que recebemos são dados de acidentes mais graves, mas tem também aquele tipo de acidente leve que não acaba nem sendo atendido pelo Siate e nós também nem ficamos sabendo”, explicou Ricardo Ribeiro, do setor de acidentes do Sindimoc.

Mesmo com várias pessoas mobilizadas para conversar com os ciclistas, poucos pararam para ouvir o que os representantes dos motoristas tinham para falar. “Ficam arredios a nossa mobilização, não querem parar, nem escutar o que temos a falar. Teve gente até mesmo desafiando a gente, empinando as bicicletas. Mas pra gente o que importa é que se conseguirmos salvar uma vida neste dia, estaremos no lucro, pois a coisa está ficando cada vez mais perigosa”, comentou Ari Dário Pereira, diretor de segurança do Sindimoc.

A ação foi feita na estação-tubo Maria Aguiar Teixeira, na Avenida Prefeito Maurício Fruet, no Capão da Imbuia. “Escolhemos um ponto distante da Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, no bairro Mossunguê, onde o acidente fatal aconteceu, justamente para mostrarmos que são vários os pontos da cidade em que registramos estas ações. As pessoas precisam ter a noção de que estão correndo risco”.

No caso da estação-tubo escolhida, ao lado passa uma canaleta e isso era uma das coisas ditas pelos representantes do Sindimoc quando conseguiam parar algum ciclista. “Quando chegamos aqui, quase aconteceu a mesma coisa que registramos no começo da semana: um rapaz caiu na caneleta e a bicicleta ficou no meio da rua. Ele só não se machucou porque caiu para o lado oposto, se não teria acontecido algo grave”, contou Pereira.

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná
Edson França Filho, um dos ciclistas abordados na ação. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

O auxiliar de informática Edson França Filho, um dos ciclistas que parou para ouvir as orientações, estava na canaleta, mas disse que não costuma usar a via para seus trajetos. “E muito menos pego rabeira. Acho que uma ação dessas é importante, até mesmo para que as pessoas se conscientizem”, avaliou.

Perigo eminente

Como todo mundo sabe, os biarticulados são veículos grandes e isso faz com que seja mais difícil o controle por parte dos motoristas. “Por isso, se o motorista precisa fazer uma manobra mais brusca, como desviar de algum animal ou até mesmo de uma pessoa, acaba movimentando todo o ônibus e fazendo lá atrás o que chamamos de ‘chicote’. Isso faz com que a pessoa que esteja na traseira do ônibus seja arremessada”, detalhou o diretor do sindicato.

Pereira alertou que, em um caso de manobra brusca, a pessoa que está se apoiando no ônibus é a mais prejudicada. “Sem dúvidas vai ser arremessada e aí pode ser atropelada por outro ônibus ou até mesmo bater a cabeça o chão. Não precisa ter um biarticulado para que o acidente aconteça, basta a altura do meio-fio. Os ciclistas precisam ter noção desse perigo”.

Para os motoristas que se envolvem nos acidentes, fica o trauma. “Quem esteve no local do acidente fatal dessa semana presenciou o estado em que ficou o motorista que atropelou o rapaz. Ele precisou ser afastado, porque só chora, está mal e vai precisar de acompanhamento psicológico. Ninguém quer passar por uma situação dessas e é justamente por isso que estamos pedindo a conscientização das pessoas”.

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