O acidente que matou um idoso na noite quinta-feira (26) evidenciou um problema com o qual motoristas e moradores que passam pela Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel enfrentam desde que as obras de revitalização da PR-415, que liga Curitiba a Pinhais. A falta de sinalização não só complica o trânsito como também põe em risco quem trafega pela via, sobretudo no trecho próximo ao cruzamento com a Rua Antônio Gelinski, onde a faixa da direita da pista no sentido Curitiba termina exatamente de frente com um poste.

Foi exatamente nesse ponto que o homem de 65 anos morreu na última quinta. E, de acordo com a vizinhança, ocorrências assim são recorrentes, seja com batidas ou mesmo com manobras arriscadas de motoristas que jogam o carro para evitar um novo acidente. No local, há apenas duas setas pintadas no chão indicando a curva à direita, mas que não são o suficiente para alertar os motoristas sobre o fim da faixa. Não há placas e nem o tachão refletivo (tartarugas). E, em dias de sol, o perigo aumenta, já que os motoristas têm que dirigir pelo trecho na contraluz, o que dificulta ainda mais a visualização e a compreensão da pouca sinalização.

Mas para quem vive o clima diário de tensão, como a proprietária de uma sorveteria localizada na esquina do cruzamento, esperar mais tempo por uma solução não parece tão simples. Eliane Pereira de Lima, 32 anos, diz que sempre reclamou com os responsáveis pela obra para melhorar a sinalização, mas nada aconteceu. “Já procurei até o DER-PR, mas disseram que não dá para mexer no projeto”. Ela conta que, para testemunhar a tensão daquela esquina, é só ficar parado por cinco minutos e olhar para os veículos que vêm na direção do cruzamento. E, de fato, não demorou muito para que a reportagem visse carros fazendo o desvio na última hora e quase batendo em outros veículos.

Foto: Alex Silveira/Gazeta do Povo.
Foto: Alex Silveira/Gazeta do Povo.

O ensacador aposentado Lázaro Bonini, 61 anos, não sabe como o problema não foi previsto no projeto de revitalização da rodovia. Ele mora há 20 anos na Rua Antônio Gelinski e já presenciou pelo menos cinco acidentes naquela esquina. “Não é a primeira pessoa que morre”, conta. “Ali sempre foi assim e nunca ninguém fez nada” Segundo ele, o problema se torna ainda maior porque põe em risco também os pedestres que costumam caminhar pelo calçadão que há ali. “No fim de semana isso aqui é cheio. Já, já acontece uma nova tragédia”, revela.

O susto do recepcionista Alfredo Veiga Neto, 24 anos, que trabalha em academia na outra esquina também trouxe preocupação. Ele foi uma das pessoas que ajudou a socorrer o idoso acidentado. Segundo Veiga, o medo de atropelamento voltou a ser motivo de conversa entre os clientes. “Os carros passam aqui em alta velocidade. Manobras arriscadas tentando mudar de pista ocorrem o tempo todo, mas você não vê uma sinalização. Tinham que colocar placas ou aquelas tartarugas para evitar o pior”, aponta.

O que diz o DER-PR

Por meio de nota, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), responsável pelo trecho da rodovia, lamentou o acidente e o considerou uma fatalidade. Mesmo assim, informou que dará atenção especial ao trecho da ocorrência. Ainda segundo o órgão, todo o projeto de revitalização da Rodovia João Leopoldo Jacomel (PR-415) foi elaborado e está sendo executado em conformidade com as normas técnicas do Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas (Ibraop). O DER-PR considera a sinalização adequada, pois, conforme diz a nota, “há placas com avisos de que o trecho está em obras, sinalização horizontal com pintura refletiva e sinalização vertical alertando a velocidade máxima de 70 km/h”. Mesmo assim, segundo o órgão, estão sendo executadas melhorias de sinalização ao longo dos 14 km de extensão da PR-415.

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