Com apenas 16 anos, a adolescente Jaqueline de Andrade já carrega na pele as marcas de uma das decisões mais importantes de sua vida. Na madrugada do dia 15 de janeiro, enquanto as chamas consumiam a casa da família, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ela não pensou duas vezes antes de voltar, atravessar os cômodos tomados pelo fogo e arrastar para fora o irmão de 4 anos – o único que ainda não havia conseguido deixar o imóvel quando o incêndio começou.

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As queimaduras tomaram 65% do corpo da garota, internada sem previsão de alta no Hospital Evangélico, na capital. Na próxima semana, ela deve passar por cirurgia de preenchimento de pele na região das costas, a mais afetada pelos ferimentos.

As lembranças do incêndio ainda estão vivas na cabeça de Dinair Andrade, a mãe de Jaqueline e outros quatro filhos menores. Ela lembra que passava das 2h da madrugada quando o marido, Jair Andrade, acordou com um barulho vindo da porta da cozinha e levantou para ver se não era Jaqueline tentando sair de casa em mais uma de suas crises de sonambulismo. Voltou aos gritos.

“Ele veio gritando fogo, fogo, e já não conseguia mais nem chegar lá porque as chamas estavam lambendo a cozinha”, conta Dinair. No impulso, a mãe tomou no colo a criança menor, de apenas dois anos, e pulou a janela do quarto em que dormia com o marido e outros três filhos. No outro quarto, onde estava Jaqueline e o irmão de 14 anos, o fogo também chegou rápido. Os dois conseguiram sair às pressas, mas o desespero tomou conta quando descobriram que Gabriel, de 4 anos, ainda estava na casa.

Assim que percebeu a ausência, Jair seguiu correndo em direção à casa, mas foi barrado pela própria Jaqueline. “Ela que não deixou o pai entrar e entrou no lugar dele. Aí foi lá dentro, largou para gente o irmão e quando foi tentar sair pela janela não conseguia pular por causa da saia, que era muito justa. Então saiu em direção à cozinha, mas não tinha mais como sair e isso só acabou queimando a frente do corpo dela”, detalha a mãe. “Aí a Jaque voltou para tentar pular de novo a janela e o fogo queimou toda a parte de trás. Depois disso, a única coisa que lembro é dos gritos que ela dava. Um grito desesperado. Vi quando ela caiu da janela e depois disso eu desmaiei”, completa a mãe.

Jaqueline foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital Evangélico de Curitiba. O pai, que teve um ferimento na cabeça por causa dos vidros que se estilhaçaram com o calor do fogo, também ficou internado no hospital, mas teve alta quinta-feira (24).

Sem casa

O Corpo de Bombeiros chegou cerca de 20 minutos após o incêndio, mas não conseguiu impedir que as chamas consumissem a casa onde a família morava, de favor e que já estava sem parte do telhado por causa da queda de uma árvore semanas antes.

Ainda não se sabe o que deu início ao fogo. No entanto a família acha improvável que tenha sido um curto-circuito, já que , por falta de pagamento, a residência estava sem energia elétrica há três meses. “A gente até usava vela à noite. Mas naquela noite, que tinha chovido muito, a gente estava só com um toco de vela que o meu marido apagou e guardou no bolso pra usar de madrugada e fazer a mamadeira das crianças”, revela Dinair.

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