A Polícia Militar confirmou ontem que os policiais supostamente responsáveis pelo desaparecimento de Edenilson Murillo Rodrigues, 25 anos, na noite de 21 de maio, foram afastados das ruas e exercem funções administrativas até que o caso seja encerrado. O rapaz foi visto pela última vez em uma chácara na Rua Paulo Filus, Jardim Águas Claras, Piraquara, onde era caseiro.

Ele estava acompanhado da mulher, da enteada pequena e de dois adolescentes. Conforme testemunhas, por volta das 22h, os policiais invadiram a residência em busca de drogas. Outro rapaz, preso minutos antes, teria indicado a chácara como ponto de venda. Somente pouco antes da meia-noite, a mulher de Edenilson chegou à casa de uma das irmãs dele, informando que ele tinha sido levado pelos PMs.

Recuo

Porém, dias depois, ao ser chamada para depor, a mulher voltou atrás e disse não saber se Edenilson foi levado pelos policiais ou fugiu, porque estava trancada em um quarto durante a revista. “Primeiro os colegas e a mulher disseram que ele apanhou e foi levado, desacordado, em uma viatura. Alguns dias depois, todos voltaram atrás dizendo não ter visto nada”, declarou a aposentada Marinelsa Rodrigues, mãe do rapaz.

“Ninguém foi claro conosco. Nem as pessoas que estavam na casa, nem os policiais. Eles confirmaram ter prendido o rapaz que indicou meu filho como traficante. Ele foi levado para a delegacia de Pinhais naquela noite, mas disseram que nem viram meu filho”, contou Marinelsa. Ela também revelou que a dona da chácara havia pedido, um dia antes, que Edenilson e a família desocupassem a casa.

Buscas

Três dias depois do desaparecimento, a mãe registrou boletim de ocorrência na delegacia de Piraquara, mas diz que nada foi feito até agora. Durante estes quase quatro meses, ela procurou em hospitais e no Instituto Médico-Legal, mas não encontrou Edenilson. A esperança era que os PMs indicassem o paradeiro dele, por isso Marinelsa procurou o Ministério Público, que a encaminhou para a Corregedoria da PM.

Foi aberto um inquérito policial-militar (IPM), mas nenhum detalhe da investigação foi divulgado. Segundo nota da PM, o inquérito deve ser encaminhado para a Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual, que deverá verificar, junto com o Ministério Público, se será oferecida denúncia contra os policiais.  Mesmo sem resposta das autoridades, Marinelsa continua procurando o filho por conta própria. Passou os últimos meses distribuindo cartazes pela região metropolitana. “Minha esperança é encontrá-lo vivo”, declarou a mãe.