Trezentos mil reais. Esse é o valor aproximado desviado por uma agência de turismo de pelo menos 80 pessoas que caíram no “conto do vigário” em Curitiba e Região Metropolitana (RMC). Lesados e impedidos de viajar, os clientes agora procuram na justiça uma solução para o problema que veio à tona há alguns dias quando, às vésperas da viagem, foram avisados pelo proprietário da empresa que, por questões financeiras, o roteiro que haviam planejado há mais de um ano não poderia ser realizado. Desde então a agência, que tem sede em São José dos Pinhais, fechou as portas e parou de atender ligações, deixando os fregueses a ver navios.

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Tadeu Grzelkovski, 68, é um deles. O aposentado, que há mais de um ano decidiu viajar com a esposa para a Terra Santa, contratou dois pacotes com a agência Fidei Turismo, em setembro do ano passado. Somados, os valores das viagens ultrapassaram os R$30 mil que foram pagos à vista. Segundo Tadeu, no mesmo plano de viagem estavam outros clientes, incluindo parentes seus e até mesmo o padre da paróquia frequentada pela família, no município da Lapa.

“Desde que decidimos viajar começamos a guardar dinheiro. O itinerário previa uma peregrinação pelos caminhos de Jesus. Era uma viagem de cunho religioso e tínhamos grande expectativa nesse passeio”, afirmou. Entre os contratantes, moradores dos estados de São Paulo, Brasília e Santa Catarina também haviam negociado com a empresa e viajariam no mesmo grupo de Tadeu.

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Malas prontas, às vésperas da viagem – programada para o domingo de Finados – uma ligação deixou perplexo o aposentado. “Um funcionário ligou dizendo que a empresa havia feito algumas demissões e que, por conta disso, a viagem não poderia mais acontecer. Não nos deram mais detalhes e não explicaram o que estava acontecendo de fato. Alguns dias depois, o proprietário da agência ligou confirmando a situação. Ele ainda enfatizou que o dinheiro não seria devolvido porque a empresa estava falindo”, disse.

Denúncia à polícia

Indignado, o aposentado se juntou a outras vítimas do suposto golpe e procurou o advogado Diego Timbirussu Ribas, que na manhã desta quinta-feira (08), compareceu à delegacia de São José dos Pinhais, onde solicitou abertura de inquérito policial referente ao caso.

“A Fidei Turismo já se posicionou afirmando que não deve ressarcir o dinheiro dos clientes por conta da falência. Vamos pleitear abertura de inquérito policial, mas a possibilidade de ingresso com ação indenizatória também não é descartada”, ressaltou. Segundo o advogado, a má-fé estaria caracterizada pelo fato de os sócios da agência terem consciência de que a empresa ia “de mal a pior” e, mesmo assim, terem induzido os clientes a erro, fazendo-os pagarem por viagens que jamais aconteceriam.

A Tribuna do Paraná tentou contato com a Fidei Turismo bem como com o proprietário da agência, identificado como Geovan Cuba, porém, até o fechamento dessa reportagem, nossas ligações não foram atendidas.

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