A Revistaria e Papelaria Alto da XV é referência na troca de figurinhas de álbuns colecionáveis em Curitiba. O ponto de encontro dos colecionadores, na Rua XV de Novembro, número 2.728, costuma ficar lotado em época de Copa do Mundo, com a chegada dos famosos álbuns das seleções de futebol. Só que agora é o álbum do Zequinha, o mais curitibano de todos os piás, que está agitando o pessoal. De acordo com o José Mainheriche, 63 anos, dono do local – e conhecido pelo nome guerra “Zé da Banca” –, um grupo de Whatsapp foi criado exclusivamente para trocas de figurinhas repetidas, o que ajuda muito em tempos de pandemia de covid-19. Até rifas de álbuns completos do personagem são feitas para doações de recursos a instituições necessitadas.

Segundo Zé da Banca, que é dono do local há 16 anos, por causa da pandemia de coronavírus (covid-19), a turma das figurinhas se apegou ao novo álbum do Zequinha como uma forma de aliviar o estresse e juntar crianças e adultos na missão de completar os espaços vazios do álbum. “Quando o Zequinha foi lançado, muitos clientes e senhorinhas saudosistas vieram procurar figurinhas. Como o mais legal não dá para fazer, que são as aglomerações para trocas, eles arrumaram um jeito de trocar figurinhas repetidas pelo Whatsapp”, conta.

E é na banca que as trocas se concretizam. “O pessoal combina as trocas e, depois, vem deixar aqui uma caixinha com as figurinhas para concretizar a negociação. Aqui, eu, minha esposa, minha filha e funcionários gostamos muito dessas coisas, mesmo que tome tempo. Então, como já é tradição nossa, a gente se responsabiliza por ser o ponto de troca, tudo na confiança”, explica o dono da banca.

Não são só as trocas. O pessoal ainda está bolando rifas de álbuns completos do Zequinha para arrecadar fundos para doar a instituições. “Já foi rifado um álbum desse novo do Zequinha. O valor foi para uma instituição que cuida de crianças. Mas agora, uma colecionadora trouxe um álbum completo antigo do Zequinha, de 1980. É uma relíquia que está sendo refida”, conta Zé da Banca.

Os bilhetes são comprados pelo Whatsapp ou pessoalmente na banca. São 100 números, cada um a R$ 10. “Aqui, sempre tivemos essa vocação de figurinhas. Fico alegre de ver como o pessoal se movimenta. Têm senhorinhas que deixam até o arroz queimar no fogão porque estão fazendo trocas pelo celular. Quem não sabia mexer no Whats, aprendeu. Eu vejo trocas acontecendo até de madrugada”, diverte-se Zé da Banca.

A colecionadora Deborah Wasilewski de Mello, 52 anos, é a dona do álbum de 1980 do Zequinha. Ela conta que se emocionou quando relançaram as figurinhas do personagem. “Chorei, pois eu fazia esse álbum com meu pai, Luciano, quando eu tinha 11 anos. Ele faleceu há quatro anos e muitas memórias dele voltaram. Até do esquema de guardar notas fiscais para trocar por figurinhas, promoção que tinha na época. Meu pai guardava várias”, conta.

Rifa para fazer o bem!

A decisão de rifar o álbum para ajudar instituições com doações surgiu entre as pessoas que participam do grupo de trocas do Whatsapp. “É uma solidariedade imensa que ocorre ali. É emocionante saber que algo que significa tanto para você pode ajudar outras pessoas. Vamos seguindo em frente com a ideia”, ressaltou a Deborah Wasilewski.

Quem quiser entrar em contato com a Revistaria e Papelaria Alto da XV para saber mais sobre o álbum do Zequinha, grupo de Whatsapp e a rifa de álbum completo, pode ligar para o telefone (41) 3362-8256.

Zequinha

Próximo de completar 100 anos de existência, o palhaço que fez sucesso por várias gerações retorna aos álbuns prometendo inovar nas figurinhas, sem deixar de lado o seu amor incondicional por Curitiba. São 200 imagens que relatam o dia a dia de um personagem que levou o nome da capital paranaense para vários lugares além da imaginação. Zequinha de máscara e álcool gel, Zequinha fazendo selfie e até uma figurinha rara são algumas das novidades deste quarto álbum da história deste simpático piazão do centro da capital paranaense.

As figurinhas das Balas Zequinha tem a assinatura de Nilson Müller, 79 anos. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Já destacada em matéria aqui na Tribuna, a volta das figurinhas do palhaço Zequinha tem ajudado as bancas de Curitiba a ganhar um fôlego financeiro durante a pandemia.

As figurinhas das Balas Zequinha tem a assinatura de Nilson Müller, 79 anos, ilustrador, artista plástico e que em 1979, provocou agitação na sociedade curitibana ao desenhar imagens do palhaço. O novo álbum tem um perfil mais moderno, sem esquecer dos clássicos do Zequinha. São 23 páginas que retratam o dia a dia do palhaço desde ao acordar, viajar, praticar esportes, trabalhar e tantas outras atividades. Figurinhas coloridas com legendas positivas tem o Zequinha tomando café, jogando vídeo game, economizando água, organizando a casa, tocando violão, praticando jiu jitsu, fazendo churrasco, conhecendo cidades e países e muito mais.