A vacinação contra a covid-19 é recomendada para toda a população, mas ela pode ter contra-indicação em casos de doenças muito específicas que afetam o sistema imunológico do paciente. Alergias graves a um ou mais componentes das vacinas disponíveis, daquelas que provocam reações com histórico de trancar a garganta, também são motivos para a pessoa não se vacinar. Para esses grupos de pacientes, a recomendação é que o médico seja sempre consultado antes.

Vale destacar que, nesses casos, o problema não está na vacina, mas nas condições particulares de saúde dos pacientes, como uma imunidade muito baixa que esteja sendo tratada no momento da vacinação. Segundo os órgãos de Saúde, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacinação é a única forma disponível atualmente para prevenir o contágio por coronavírus e combater a pandemia.

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Quem explica tais situações é o médico infectologista de Curitiba Bernardo Montesanti, 37 anos, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR). Segundo ele, há contra-indicações absolutas e relativas em relação à vacina, mas só um médico pode avaliar os reais riscos e benefícios envolvidos. No caso da contra-indicação absoluta, em que a pessoa não deve se vacinar de jeito nenhum, Montesanti destaca que as alergias são fatores, mas não é qualquer tipo de alergia que é levada em conta para impedir uma pessoa de tomar as doses.

“São só alergias graves mesmo, que provocam anafilaxia, que é quando tranca a garganta. O paciente que tem esse tipo de histórico médico, por causa do risco, tem que ficar atento à bula das vacinas disponíveis para identificar algum componente que ele conheça e que já tenha provocado alguma reação. Lembrando que o médico ainda pode descartar o risco”, explica Montesanti.

Contra-indicações relativas

Já as contra-indicações relativas são para quem realiza tratamento de doenças muito específicas do sistema imunológico, como leucemia, esclerose múltipla, um outro tipo de câncer ou doença que exija uma medicação que altere o sistema imunológico do paciente – por exemplo a Aids. Nesses casos, a avaliação médica vai determinar até que ponto é interessante se vacinar contra o coronavírus, neste momento. De acordo com Montesanti, quando o sistema imunológico da pessoa está muito baixo, a vacina pode não ter efeito, porque o organismo pode não produzir os anticorpos.

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“Mas, veja, a contra-indicação é relativa nessa situação porque é o médico que saberá dizer o grau de evolução da doença, apontar um outro momento para a vacina, ou mesmo descartar a vacinação, por exemplo, se a pessoa tem condições de se manter em isolamento social”, destaca o infectologista.

Na gravidez

Contra-indicação à vacina também é o caso da maquiadora curitibana Sarah Petri, 34 anos. Ela trata uma esclerose múltipla leve desde 2018, que já atacou seus movimentos e a visão. A maquiadora está no início de sua primeira gravidez e seus dois médicos a aconselharam a não tomar a vacina contra a covid-19. “Na verdade, estou até tranquila. Desde que descobri a esclerose, a orientação médica é para que eu não tome vacinas, mesmo as do sarampo. Da gripe eu nunca tomei e nunca peguei. Já uso álcool gel e máscara para trabalhar faz tempo, por causa da imunidade”, contou a Sarah.

A principal preocupação dela veio depois que descobriu a gravidez. “Aí, não sou só eu. Tem mais uma vida comigo. Confesso que até pensei em tomar a vacina do coronavírus de tão desesperada. Mas agora, passados os três meses, me tranquilizei novamente”, disse. Mas a expectativa da maquiadora é que seus familiares, amigos, colegas de trabalho e clientes possam se vacinar o quanto antes, para ela se cercar de pessoas vacinadas no seu dia a dia. “Sim, quero muito que todo mundo se vacine para eu me proteger, nem que seja de um jeito indireto. Assim, todo mundo se cuida”, disse.

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O infectologista Bernardo Montesanti também destacou que as grávidas não estão totalmente fora da lista de vacinação. Pode ser uma indicação relativa do médico para que a grávida se vacine. Há casos em que a exposição da mulher com o público, por causa da vida profissional, pode ser levada em consideração. “Não há estudos que desaprovem a vacinação de grávidas. Não houve testes em seres humanos nesse caso, mas em animais sim. Uma grávida que atue na área da saúde, por exemplo, que esteja exposta ao contágio e não tenha condições de se isolar socialmente. O médico pode indicar a possibilidade dela se vacinar”, finaliza Montesanti.

As secretarias de Saúde municipal e estadual foram procuradas para mais informações sobre o tema da matéria, mas não quiseram se manifestar.

Vacinação em Curitiba

A capital paranaense segue vacinando as pessoas dos grupos de maior risco para desenvolver casos graves de coronavírus. Na segunda-feira (22), Curitiba anunciou as datas para a vacinação dos idosos com 71 anos completos ou mais. A imunização deste novo grupo está garantida após a chegada de 63.320 novas doses de Coronavac, recebidas do Ministério da Saúde.

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Segundo a prefeitura, as novas doses serão aplicadas a partir de quarta-feira (24), pelo sistema drive-thru e em outros pontos fixos de vacinação, em unidades de saúde e nas Ruas da Cidadania. Confira a lista completa dos locais de vacinação, e as datas e os horários para a imunização dos maiores de 71 anos em Curitiba, de acordo com as diferentes faixas etárias.