Os alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) estão revoltados com a decisão da reitoria em não promover uma redução no valor das mensalidades devido aos impactos da pandemia do novo coronavírus. Apesar do pedido, a PUC-PR sinalizou que não vai atender à reivindicação, pois também enfrenta dificuldades para seguir com seus planos e que propôs uma ajuda via parcelamento. Os alunos criaram uma hashtag que ganhou destaque nos trending topics do Twitter: #ReduzPUCPR.

As aulas seguem suspensas por conta da covid-19 e estão sendo realizadas via remoto, ou seja, pelo computador com acesso à internet. Com isto, a comunicação entre alunos e reitoria acontece via e-mails. Os estudantes enviaram dois ofícios explicando que muitas famílias tiveram redução nos salários e até mesmo o emprego perdido e que a PUC-PR poderia colaborar neste momento de indefinição.

No entanto, a resposta é que não seria possível a concessão de descontos às mensalidades sem que houvesse risco à sustentabilidade da instituição, considerando que a complexa estrutura orçamentária da universidade sofre variações causadas pela pandemia em muitas contas e de formas distintas.

Além disto, a PUC-PR disponibilizou uma célula especializada de atendimento financeiro aos estudantes que precisam negociar, de forma individual, as condições de pagamento de suas mensalidades com parcelamentos em até dez vezes. Segundo a assessoria de imprensa, foram atendidos 1.500 estudantes com pedidos de flexibilização por esta célula, fora outros que ainda estão em trâmite.

Com a resposta, os Centros Acadêmicos com apoio do Diretório Central do Estudantes (DCE), promoveram nas redes sociais uma campanha chamada #ReduzPUCPR. No Instagram foram nove mil curtidas, 4 mil tuítes, alcançando os trending topics (assuntos mais comentados) no Twitter.

Lucas Miguel Gonçalves Bugalski, 19 anos, estudante de Filosofia e presidente do DCE acredita que estes números comprovam que os alunos estão precisando com urgência de um auxílio mais eficaz por parte da PUC-PR. “O Centro Acadêmico de Serviço Social deu a ideia e iniciamos esta campanha que foi completamente abrangente. A maioria dos alunos apoiam esta causa e queremos o diálogo acima de tudo”, comentou Lucas Miguel Bugalski.

Mais revolta e união entre os estudantes

Um dos outros pontos que estão provocando uma revolta dos estudantes é que a direção negou uma reunião em ambiente aberto para que todos expusessem os argumentos. No ofício da universidade, a resposta é que não existe motivo para uma conversa pública se o e-mail tem este propósito de ser o elo entre as partes. Daí surgiu outra hashtag para as redes sociais, a #VergonhaPUCPR.

“Voltamos para as redes sociais e tivemos um apoio dos estudantes de outras cidades como São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás que também estão enfrentando os mesmos problemas”, relatou o presidente do DCE da PUC-PR.

Ação em conjunto

Outros diretórios acadêmicos da Universidade Positivo e da Unicuritiba já procuraram os estudantes da PUC-PR. A ideia é unir as forças para cobrar uma atitude mais forte por parte das reitorias. “Estamos nos reunindo para definir esta ação em conjunto. Ressalto que o diálogo é a melhor forma antes de qualquer outra medida que poderemos ingressar no futuro”, concluiu Lucas Miguel Bugalski.


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