A aparência de um empreiteiro de Fazenda Rio Grande foi responsável por sua prisão. Moreno claro, com a barba por fazer e usando boné, Nelson Blanco, 33 anos, tinha as mesmas características de um assaltante. Ele foi reconhecido por quatro testemunhas e ficou detido durante quatro dias.

Sem nenhum antecedente criminal e de boa vida financeira, a família de Nelson garante que, no momento do crime, ele estava em um supermercado. O advogado do empresário conseguiu imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para provar a inocência de seu cliente, entre outros álibis. Uma das imagens mostra Nelson deixando o mercado, ao lado da esposa, praticamente no mesmo horário do assalto.

Roubo

Na segunda-feira, por volta do meio-dia, três bandidos armados roubaram uma agência bancária dentro de uma loja das Casas Bahia. A Guarda Municipal prendeu Paulo Roberto Ferreira, 38, poucos minutos depois. Ele estava com um revólver calibre 38 e foi reconhecido pelas vítimas. O suspeito já tinha condenação por assalto.

Nelson estava em um Palio branco, na Rua Guaritá, bairro Eucaliptus, quando foi abordado por policiais militares, que disseram que ele tinha as mesmas características de um dos assaltantes. Sem oferecer resistência, o empresário concordou em ser levado à delegacia. Lá, foi apontado por quatro funcionários do banco como um dos três marginais, e ficou detido até ontem, quando conseguiu alvará de soltura.

Delegado Fábio: “Não podia virar a cara para as testemunhas”. Foto: Átila Alberti.

Família indignada com injustiça

Dono de uma construtora em Fazenda Rio Grande há 12 anos, que emprega cerca de 60 funcionários, Nelson é casado e pai de uma menina, de 7 anos, e um adolescente, de 13. A esposa, Mara, estava indignada com a prisão. “Você acha que meu esposo pegaria o carro pessoal e iria fazer um assalto na loja no município onde mora há 30 anos?”, questionou.

Os filhos nem sabiam da prisão do pai. “Falei que ele estava em uma viagem a trabalho”, contou Mara. Os dias na delegacia não foram fáceis. “Na segunda-feira, ele chorou muito. Estava tão nervoso que sentiu fortes dores de cabeça”, disse.
Indícios

O delegado Fábio Machado, de Fazenda Rio Grande, explicou que o reconhecimento feito pelas testemunhas era suficiente para a prisão. Quatro das seis pessoas que estavam na agência apontaram Nelson como um dos assaltantes. “Não podia virar a cara para as testemunhas. O fato de ele ser empreiteiro e trabalhador não exclui a possibilidade de cometer um crime”, afirmou o delegado.

As imagens das câmeras de segurança foram solicitadas para a identificação dos marginais. Nelson vai responder ao processo em liberdade. “Agora cabe ao juiz decidir se ele é culpado ou não”, completou Fábio.

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