Morreu, no início da madrugada deste sábado (13), o sargento Wellington de Matos, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar do Paraná. O policial foi baleado na perna à queima-roupa durante uma tentativa de abordagem em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, na noite da última terça-feira (9). Ele estava internado na UTI do Hospital Evangélico desde então, com quadro grave de saúde, e mesmo após ter passado por uma amputação, não resistiu ao ferimento.

“Ele lutou muito durante todos esses dias. Os médicos também fizeram tudo o que estava ao alcance dele, mas foi um ferimento muito sério”, lamentou o tenente-coronel Hudson Teixeira, comandante do Bope. Segundo ele, ao perceberem a piora na recuperação do sargento, familiares e policiais mais próximos do militar foram chamados para se despedir. “Ele estava em coma, mas mesmo assim as pessoas mais queridas puderam dar esse último adeus e, pouco depois da meia-noite, ele acabou falecendo”.

A abordagem que terminou com o sargento baleado foi na rua Edna Valente Cury, no Jardim Itaú. De acordo com a PM, Matos e equipe tentaram abordar um jovem, identificado como Alan de Miranda, de 20 anos. Acuado, o rapaz abriu fogo contra os agentes sem que houvesse tempo para qualquer reação. “Ele foi socorrido ainda consciente e chegou a orientar a equipe sobre o que fazer e como proceder para tentar estancar o sangramento, mas depois só complicou”.

Socorro imediato

Devido à distância da cidade em relação a Curitiba, os policiais tiveram que pensar rápido para tentar salvar o companheiro de farda. O sargento foi colocado numa viatura do município e levado ao encontro da ambulância do Siate, que estava na Rodovia dos Minérios, a caminho da ocorrência. “Ele sofreu algumas paradas cardíacas ainda no trajeto para o hospital, foi entubado, mas perdeu os sentidos. Depois disso, o sargento não acordou mais”.

De acordo com a assessoria de imprensa do Evangélico, Matos sofreu uma grave hemorragia. Isso porque ele foi atingido por um disparo de arma calibre 12, que acabou atingindo a veia femoral, e a munição contava com uma esfera de rolamento que aumenta o potencial ofensivo. Nas redes sociais, amigos e colegas se mobilizaram ao longo da semana pedindo doações de sangue em nome dele e lotaram o Hemepar, mas nem toda essa ajuda foi suficiente para reverter o quadro de saúde do sargento.

O destino dos bandidos

Encurralado após atirar contra os policiais, Alan tentou se esconder dentro de uma casa e trocou tiros com a equipe, mas acabou morto durante o confronto. Os familiares do rapaz ficaram indignados com a atitude dos PMs.

No desdobramento à tentativa de abordagem, os policiais conseguiram prender dois homens ainda no local do crime. Com eles – o irmão e o padrasto de Alan –, foram apreendidos uma espingarda, uma pistola e um colete balístico. Os suspeitos e o material foram entregues à Polícia Civil de Rio Branco do Sul. Algumas pessoas já foram ouvidas sobre o caso e um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do crime.

Criminosos ousados

Para o comandante, além da perda de um membro da corporação, a morte do sargento choca porque representa o momento delicado que a sociedade atravessa. “Já é complicado quando os bandidos enfrentam o policiamento regular. Pior é eles enfrentarem o Bope, mesmo conhecendo o perfil das equipes, que trabalham na linha de frente contra a criminalidade. Isso demonstra uma total falta de valores”, enfatiza. Em um ano, três membros do Bope já perderam a vida em serviço, e muitos outros acabaram feridos em confrontos.

Velório

De acordo com o Comando do Bope, o corpo do sargento Wellington de Matos vai ser velado na capela da Associação da Vila Militar (AVM), que fica na rua Santo Antônio, 100, no bairro Rebouças. A previsão é de que a despedida do militar comece por volta das 17 horas deste sábado. O sepultamento vai ser realizado às 11 horas deste domingo (14), no cemitério Jardim da Colina, em Colombo, também na RMC.

“Nós vamos sair da AVM às 10 horas em cortejo pela canaleta do ônibus da avenida Paraná para mostrar o valor do nosso irmão de farda”, afirma o comandante. O sargento Matos tinha 34 anos e deixa esposa grávida de dois meses do primeiro filho do casal.