Curitiba começou a vacinar grupos prioritários contra a covid-19 no dia 20 de janeiro e os resultado já começaram a aparecer. De acordo com um estudo feito pelo professor José Rocha de Faria, pesquisador do Centro de Epidemiologia e Pesquisa Clínica (Epicenter), da PUCPR, o número de novos casos e mortes causadas pelo coronavírus diminuiu em idosos com 90 anos ou mais.

Em meio a um cenário difícil vivido na capital paranaense em decorrência da pandemia, que levou a Prefeitura de Curitiba a decretar a “bandeira vermelha” (lockdown), a notícia é muito boa.

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Nos 30 dias que antecederam o início da vacinação na capital paranaense, entre 22 de dezembro de 2020 e 20 de janeiro de 2021, a letalidade nos idosos desse grupo foi de 31,5%. Já nos dias compreendidos entre 7 de fevereiro a 8 de março, a taxa caiu para 25%. A análise foi realizada utilizando a base aberta de dados disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Quanto ao número total de óbitos, houve uma redução de 10% entre o primeiro e o segundo período analisados. A faixa etária que registrou a maior redução foi, justamente, a de idosos com 90 anos ou mais. Se no período inicial da análise os óbitos de idosos dessa faixa etária respondiam por 5,9%, no período após a vacinação o percentual caiu para 3,9%.

A redução no número de casos também foi bastante significativa: foram 73 mortes no primeiro período e 56 no segundo, redução de 23%.

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Para Faria, os dados chamam muito a atenção pelo fato de que o período analisado teve início apenas cerca de duas semanas após o começo da vacinação em Curitiba. “Temos que considerar que neste período muitos dos idosos só haviam recebido a primeira dose do imunizante. Mesmo assim, vimos esse declínio na letalidade e no número de casos”, afirmou.

“Ainda que devamos considerar a possibilidade de que esse grupo tenha se isolado mais nas últimas semanas, resultando numa menor taxa de contágio, dois fatores sugerem fortemente um efeito da imunização: quando analisamos as faixas etárias de 80 a 89 e de 70 a 79 anos, não vemos qualquer redução significativa dos óbitos, além disso, a redução da letalidade fala muito a favor de um efeito já da imunização”, explica.

O pesquisador lembra que diversos estudos já divulgados sobre as vacinas CoronaVac e de Oxford mostram não só a redução no risco de contágio, mas, principalmente, uma diminuição mais significativa no risco de desenvolvimento de quadros mais graves, que exigem, por exemplo, hospitalização e intubação.

Medidas mais restritivas

Na visão do professor da PUCPR, embora vista com antipatia por parte da população, as medidas mais restritivas impostas pela Prefeitura de Curitiba no último sábado (13) são absolutamente necessárias para tentar reduzir a sobrecarga no sistema de saúde da cidade, que já funciona acima de seu limite.

No município, diversos hospitais privados fecharam suas portas para novos pacientes. O número de casos ativos na cidade vem crescendo desde o feriado de carnaval, quando foram identificados os primeiros casos da cepa de Manaus, mais contagiosa.

Inicialmente, o Decreto 565 terá vigência até o dia 21 de março. Nesse período, prosseguem em funcionamento somente atividades consideradas essenciais, como supermercados, padarias e postos de gasolina, com restrição de horário e exigência de cumprimento do Protocolo de Responsabilidade Sanitária e Social. Atividades nos parques da cidade, além das aulas presenciais, estão suspensas. Além disso, o transporte público está funcionando com lotação máxima de 50%.