A morte semana passada da funcionária de um supermercado de Araucária, região metropolitana de Curitiba, por causa de um cliente que se negou a usar máscara de proteção do coronavírus aumentou a tensão de quem trabalha no setor. A fiscal do mercado Sandra Maria Aparecida Ribeiro, 45 anos, levou um tiro após uma briga entre o cliente e o segurança do supermercado, deixando órfãos dois filhos. O cliente e o segurança seguem presos na Polícia Civil.

Segundo amigos e família, desde que a máscara se tornou obrigatória, Sandra passou a se preocupar com possíveis desavenças de clientes que não quisessem seguir a regra. Preocupação que se estende a outros profissionais do setor.

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Antes da morte de Sandra, outro cliente havia causado confusão em um supermercado no bairro Rebouças por não querer usar a máscara. Também após discussão com o segurança, um vidro do estabelecimento chegou a ser quebrado.

Para o Sindicato dos Empregados no Comécio Varejista de Gêneros Alimentícios, Mercados, Minimercados, Super e Hipermercados de Curitiba e Litoral (Siemerc), os funcionários temem que os clientes não queiram seguir a determinação das máscaras, que no Paraná agora é lei para todos que não estiverem em casa. “Ninguém está habituado ao uso obrigatório de máscaras. E, com o isolamento social, as pessoas estão sem paciência, com o nível de estresse muito alto”, afirma Vanderlei Trindade, presidente do Siemerc.

Pensando em evitar o pior, o Siemerc tem orientado os trabalhadores a abordar o cliente com o máximo de cautela. “Falamos para que, em hipótese alguma, o trabalhador discuta com a pessoa, apenas oriente”, aponta Vanderlei. Ainda segundo o Siemerc, no caso da funcionária do mercado de Araucária, o sindicato diz que ela agiu de forma correta, porém houve um desequilíbrio do cliente, causando a tragédia.

O sindicato diz que tem fiscalizado os estabelecimentos para garantir boas condições de trabalho. “É um trabalho totalmente estressante, principalmente pelos supermercados serem pontos de grande circulação de pessoas. Orientamos que façam revezamento dos funcionários na entrada dos mercados, justamente para evitar esse estresse”, explica Trindade.

A preocupação é a mesma de outra categoria de trabalhadores, os seguranças. De acordo com o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região (Sindvigilantes), houve aumento no número de contratos de segurança privada para atuação nas entradas de supermercados, tanto os médios quanto os grandes. E a situação preocupa ainda mais, segundo a entidade, pelo estresse dos clientes neste momento.

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“Os clientes muitas vezes querem entrar de qualquer jeito, mas os funcionários chamam os seguranças. Quase sempre ocorre um bate-boca. Na maioria das vezes, mesmo estressados, os clientes acabam desistindo de forçar a barra para entrar”, explica o presidente do Sindvigilantes, João Soares. “Os vigilantes acabam ouvindo xingamentos desnecessários. Esses clientes não querem nem saber, já que quem acaba impedindo a entrada deles é o segurança, não o funcionário do mercado”, aponta.

Soares ainda se diz preocupado com o que pode ocorrer nas filas das agências da Caixa Econômica para o saque do auxílio de R$ 600. O banco foi autorizado a usar segurança privada para manter o distanciamento das pessoas nas filas por causa do coronavírus. “São filas quilométricas. Logo, logo, poderemos ter estresse por ali”, finalizou. A partir de quinta-feira (14), militares do Exército vão ajudar a organizar essas filas nas agências da Caixa em Curitiba, bem como em terminais de ônibus.

O que dizem os supermercados

A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) diz que vem atualizando e orientando os seus associados a se adaptarem às novas regras e medidas de enfrentamento ao coronavírus. Segundo a associação, cada município vem adotando posturas diferentes, conforme a necessidade e a evolução de casos, mas por se tratar de atividade essencial, os supermercados de todo o estado permanecem abertos, o que exige do setor uma resposta rápida de ações para cada nova regulamentação que surge.

Neste cenário, a associação orienta os seus associados a ficarem atentos e se organizarem para seguir e exigir o cumprimento das normas, consideradas fundamentais para a contenção do vírus.


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