Caximba é um “lixão” ou o lixão é na Caximba? Neste final de semana o bairro Caximba, em Curitiba, voltou a ser manchete em todo o Brasil, mas dessa vez não pelos milhões de toneladas de lixo que estão aterrados em um de seus terrenos. Luciano Huck e o prefeito Rafael Greca “tretaram” na internet.

A visita do apresentador da Rede Globo ao local para gravação de um quadro de seu programa ficou em segundo plano diante dos comentários que ele fez sobre a região em uma postagem no Instragram. No texto, Huck comparou a Vila 29 de Outubro ao Haiti, um dos países mais pobres da América Central, dizendo que era “inaceitável no Brasil do século XXI as pessoas viverem assim”. O prefeito Rafael Greca não gostou nada da crítica e discussão acabou entre os assuntos mais comentados do final de semana.

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O bairro da Caximba fica no ponto mais ao sul de Curitiba, na divisa com Araucária e Fazenda Rio Grande. De acordo com o último levantamento realizado pela Prefeitura 2.522 pessoas moram na região, num total de 767 moradias registradas (veja mais detalhes técnicos sobre o bairro). É justamente aí que o bicho pega. A Vila 29 de outubro, pano de fundo de toda a confusão, é uma área de invasão, portanto, irregular. Foi construída em aterros feitos com caliça de construção sobre uma das cavas na região da bacia do Rio Barigui, que ali próximo deságua no Iguaçu.

Reprodução / Google
Reprodução / Google

Primordialmente é uma região com moradias rurais, com pequenas chácaras e sítios, a maioria ocupada por inicialmente por imigrantes poloneses, italianos, alemães, entre outros. Ao lado do Umbará e do Campo de Santana, de ocupação e características semelhantes, notabilizou-se como grande produtora de tijolos e cerâmica, atividade que tornou a região conhecida pelo menos até o final da década de 80.

Uma área de 410 mil metros quadrados passou a ser utilizada como aterro sanitário e a receber milhares de toneladas de lixo da capital todos os dias. Em seu auge, recebia aproximadamente 2,4 mil toneladas diariamente.

Durante 21 anos moradores da região viveram uma guerra com a administração municipal, pois o volume de lixo era maior do que o espaço comportaria e os transtornos que acompanhavam o funcionamento do aterro eram igualmente gigantescos. O nome do bairro passou a ser associado diretamente com o lixão.

A Prefeitura atestava que tudo o que era obrigatório ser feito para minimizar o impacto ambiental da existência do aterro era feita, mas a Caximba se tornou um problema enorme para os prefeitos que assumiam o comando da cidade. Em outubro de 2010, com sua capacidade exaurida, o Aterro da Caximba foi encerrado. “Está selado e seu uso”, reforçou Greca em sua postagem de resposta a Huck no Facebook.

Hoje o aterro é monitorado, o chorume tratado e o gás metano que o antigo lixão produz queimado. Existia um projeto de construção de um parque na região, mas o projeto ainda não foi implementado. Em julho deste ano a prefeitura publicou um ensaio fotográfico em seu site mostrando como o meio ambiente está lidando com o fim do aterro, mostrando que a fauna esta se restabeleceu na região.

Divulgação / Lucilia Guimarãe SMCS
Divulgação / Lucilia Guimarãe SMCS

 

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