No fim de maio deste ano, a prefeitura de Curitiba anunciou a reabertura do Mercado Municipal, que havia sido fechado no início da pandemia de novo coronavírus. Para evitar o contágio por aglomeração de pessoas na região, que conta com diversos estabelecimentos comerciais, medidas de segurança que foram adotadas incluem a ampliação das áreas de circulação de pedestres e ciclistas, com a implantação de uma ciclofaixa temporária no trecho da Avenida Sete de Setembro, desde a Rua Mariano Torres até a Rua da Paz, ao lado do mercado.

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A ação ocorre aos sábados, dia de maior movimento no Mercado e em seu entorno, mas, em vez de gerar reações positivas, comerciantes reclamam que com elas perderam vagas de estacionamento em frente às lojas, que o congestionamento no trânsito aumentou e, também, ainda não há unanimidade entre as pessoas se a criação do espaço ampliado é funcional. Mesmo assim, segundo a prefeitura, as medidas devem continuar.

Na manhã do último sábado (29), por volta das 11h, a Tribuna esteve na região do Mercado Municipal (assista abaixo) e constatou que o movimento de pessoas era intenso, mas praticamente ninguém usava a área demarcada para caminhar ou andar de bicicleta. As marcações são feitas pela Superintendência de Trânsito (Setran) com cones, fitas e placas.

Para o diretor de implantação e projetos da Setran, Maurício Razera, a prefeitura sabe que é um projeto novo e que as pessoas ainda não conhecem direito, mas aposta em uma adaptação da vizinhança.

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“Trata-se de um projeto operacional, com o uso de cones e barreiras, e a ideia é mostrar, aos poucos, como ele pode tornar o ambiente mais amigável para todos”, explica o diretor. De acordo com Razera, o projeto deve continuar ativo e pode até ser ampliado para outras regiões da cidade. “Começou com essa ideia do distanciamento, por causa da pandemia. Através desse projeto piloto, pode-se verificar o comportamento e ampliar para outros espaços da cidade, em moldes até melhores”, disse.

Comerciantes reclamam

Já os empresários donos de lojas no trecho da Av. Sete de Setembro, acham que a ação tem pouco resultado. “A prefeitura, com a retirada do estacionamento, causou mais congestionamento de carros. Eu fico o dia inteiro aqui e não tenho visto nenhum pedestre andar no espaço que delimitaram. Atrapalha porque os clientes que vêm na região querem estacionar na rua e não encontram vaga”, aponta Eduardo Hoshina, 48 anos, dono de uma loja de artigos variados.

Outro empresário, Sérgio Luiz Budel, 53 anos, também acha que ninguém circula no espaço criado. “Circulação entre aspas, porque não tem ninguém que utilize isso daí. Tanto a ciclovia, como o espaço de pedestre, atrapalham todo o movimento da Sete de Setembro”, critica. “É parecido com uma sinalização de obras. Não dá para entender. O que fizeram aí, realmente não tem utilidade nenhuma para nós”, reclama.

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O engenheiro Rodrigo Dolenga, 37 anos, que comprava um presente para o sobrinho na Sete de Setembro, disse que não entendeu o que era o isolamento na rua. Achou mal sinalizado e sentiu a ausência de vagas de estacionamento. “Procurei (vaga) para estacionar o carro aqui, não encontrei, tive que deixar em um estacionamento particular, mas poderia ter estacionado bem na frente da loja, se tivesse a vaga”, reclamou Dolenga, que não usou o espaço ampliado. 

O engenheiro Rodrigo Dolenga disse que não entendeu o que era o isolamento na rua. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Ao ser informado pela reportagem que as demarcações com cones serviam para aumentar a área de circulação de pedestres, Dolenga se mostrou surpreso. “Sério? Olha, eu estou andando pela calçada. Eu nem sabia para que servia esse espaço. Agora que falou, é possível que eu use, para ficar um pouco mas distante do pessoal”, disse.

“Facilita a vida do ciclista”

Em compensação, do outro lado da rua, onde fica a delimitação para ciclistas, a pedagoga e fotógrafa Adriana Egg Penteado, 45 anos, contou que sempre vai de bicicleta fazer compras no Mercado Municipal e adorou as medidas. Para ela, a área exclusiva ficou ótima. “É legal porque, antes da quarentena, eu vinha sempre de bicicleta no Mercado Municipal para fazer compras e não tinha nada disso. Achei ótima a iniciativa porque facilita a vida do ciclista”, comenta.

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Adriana Penteado também diz que é mais tranquilo para ela um espaço que separa os carros das bicicletas. “A gente se sente muito mais seguro para circular”. Sobre a pouca presença de ciclistas pedalando na região, mesmo com as demarcações, a pedagoga atribui esse comportamento ao estilo de vida de quem anda de bike. “Na verdade, eu, por exemplo, é a primeira vez que saio pedalar, desde o início da quarentena. Acho que o ciclista, em si, é um cidadão bem consciente. Pode ser isso”.

Maurício Razera reforça que o objetivo do projeto é dar ambientação ao trânsito, nas intermediações do Mercado Municipal, onde há uma demanda grande por esse tipo de deslocamento, de pedestres e ciclistas. “Sabemos que temos que incorporar mais a ideia na vida das pessoas, mas através desses projetos temporários que a gente vai avaliando se vai precisar de melhores intervenções. Ampliar definitivamente a calçada ou continuar com esse sistema operacional”, avaliou Razera.

Impacto no trânsito

O diretor de implantação e projetos da Setran, Maurício Razera. Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná.

Sobre o congestionamento no trânsito, a Setran não descarta a interferência da nova sinalização, mas pede que os motoristas aprendam a conviver com o pedestre. “A região sempre foi complicada porque nós temos vários estacionamentos particulares e as pessoas buscam ficar mais próximas dali. Quando todos procuram o mesmo ponto, há um certo congestionamento, ainda mais com a redução do espaço do carro. Com isso, tem que haver uma convivência. Deixar o carro mais longe, praticar uma caminhada até o Mercado, para poder usufruir das outras estruturas do local”, finaliza o diretor.

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A prefeitura informa que as quaisquer dúvidas, sugestões e reclamações podem ser feitas por meio da Central 156, disponível por telefone, aplicativo e pelo site da prefeitura de Curitiba.