Falta de segurança para o motorista, dificuldade de conseguir a renda desejada e falta de apoio na manutenção do veículo. São esses alguns dos motivos que levaram o motorista Adelmo Santos Junior, de 34 anos – que era taxista e migrou para os aplicativos de mobilidade – , a voltar a atender pelas centrais de táxi. Junto dele, outros motoristas têm retornado ao táxi. Após um período de queda brusca de demanda com a chegada de apps, o táxi, segundo eles, começa a recuperar clientes.

Segundo Santos Junior, desde a chegada da Uber em Curitiba, em 2016, o serviço de táxi começou a sentir a perda de clientes de maneira mais intensa. A expectativa de uma renda melhor foi o que levou taxistas como ele a trabalhar com aplicativos. O mesmo motivo agora faz com que eles retornem aos carros laranjas. “Depois de seis meses no aplicativo, quando meu carro começou a precisar de manutenção e a quantidade de corridas diminuiu, eu percebi que não tinha mais como continuar”, afirma.

O presidente de uma das principais centrais de táxi de Curitiba, a Rádio Táxi Capital, Julio Barbosa, estima que a volta de motoristas chega a cerca de 40% dos que saíram quando o mercado apertou. “O serviço mudou, o atendimento mudou, e alguns clientes estão voltando para o táxi, assim como os motoristas”, opina Barbosa.

O principal motivo para Santos Junior desistir dos aplicativos após seis meses de trabalho, por exemplo, foi o fato de seu carro ser mais antigo, no limite do prazo permitido pela plataforma com que rodava. Com a quilometragem rodada muito grande, o veículo logo começou a dar problemas. “Comecei trabalhando 12 horas por dia, mas depois tive que ir aumentando. E mesmo assim o que sobrava para mim era muito pouco”, relata. Desde que retornou para o táxi, afirma ele, a renda aumentou em 20% em relação às corridas de aplicativo.

Também foi o caso do motorista Kristiano Naibe, de 41 anos, que passou cerca de um ano dirigindo em aplicativos até decidir sair. “No começo, conseguia tirar de R$ 3 a R$ 4 mil limpos. Mas, em dezembro do ano passado, eu estava tirando R$ 500 por mês, trabalhando 18 horas por dia”, compara. Para ele, o motivo da queda de corridas foi o aumento no número de motoristas cadastrados nas plataformas, que foi aumentando conforme a popularização do serviço.

Naibe diz também que a recepção ao retornar para o táxi foi amigável, apesar da rixa entre os motoristas de aplicativos e taxistas. Isso porque os apps também acabaram auxiliando o táxi a se reinventar, melhorando o atendimento, que estava defasado. “Eu continuo trabalhando pelo menos 12 horas por dia como taxista, mas tiro pelo menos R$ 1.200 limpo. Além disso, tem muito mais segurança”, aponta.

Para ganhar dinheiro

De acordo com os motoristas entrevistados, ainda é possível ganhar dinheiro com os aplicativos. Mas, para isso, é preciso ter um carro novo, popular e econômico, ou usar os apps apenas como renda extra. “Quem tem um trabalho fixo e usa a plataforma só como bico consegue se dar bem”, diz Naibe.