O Bondinho da Rua XV, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Curitiba e que funciona como um espaço público de leitura, apresenta problemas em sua infraestrutura, tanto na área externa quanto na interna. Como a Tribuna mostrou em fevereiro deste ano, parece que de lá para cá a situação ficou ainda pior.

Quem caminha pelo Calçadão, nas proximidades da esquina entre as ruas Ébano Pereira e Luiz Xavier, enxerga de longe os estragos na estrutura de madeira, a qual tem partes podres. Há desgaste na pintura, as paredes externas deslocadas do lugar pela ação do tempo e buracos na cobertura e em uma das laterais demonstram que o Bondinho precisa de restauro.

A última revitalização na área externa do Bondinho aconteceu em janeiro de 2016, após uma pichação. Na época, o ponto turístico ganhou uma nova pintura. Outra intervenção aconteceu no início de 2017, mas não foi exatamente um restauro. O que houve foi instalação de uma grade para fechar o acesso à parte de baixo do Bondinho, que estava sendo ocupada por pessoas em situação de rua.

Já na área interna, a organização dos livros nas estantes e a limpeza do espaço está impecável. As persianas das janelas também estão em bom estado, mas buracos no teto deixam evidente que nem tudo está bem. Por uma dessas aberturas passa água da chuva e, nesses momentos que não são nada raros em Curitiba, os funcionários – um responsável e dois estagiários – se viram como podem para evitar que os livros sofram estragos cobrindo-os com plástico ou retirando-os das prateleiras até a chuva passar.

Revitalização

Turistas, empresários da região e pessoas que utilizam o espaço pedem uma solução. A professora do Ensino Fundamental Naira Rodrigues, 49 anos, diz que o Bondinho é um espaço que merece atenção. “O espaço é bom para desenvolver atividades com os alunos, tem contação de histórias e, sempre que possível, nós reservamos na agenda da escola onde leciono um dia para visitar o local com os alunos. O espaço merece uma conservação melhor porque as crianças precisam de lugares assim dentro da cidade”.

Para o empresário curitibano Jorge Neves, 59, o Bondinho é considerado um ponto de referência na Rua XV. “Valorizar o que é nosso é o melhor investimento que se pode fazer. O Bondinho está aí há muito tempo e precisa ser preservado. Tem que limpar, restaurar e até ampliar o tipo de atividade que se tem nele. Hoje em dia, há necessidade de se manter a educação fora da sala de aula. E poder fazer isso em um local onde a memória da cidade está viva não tem preço. Curitiba tem suas particularidades e isso merece respeito”, diz.

A estudante da Guatemala Lucía Montufar, 27, mora há cinco anos em Curitiba. Ela costuma trocar informações com os amigos do seu país sobre os pontos turísticos que mais gosta na capital paranaense. O Bondinho é um deles. “Um amigo meu está me visitando e quando eu mostrei ma foto ele quis conhecer. Viemos, já tiramos fotos de recordação, vamos fazer mais passeios pela Rua XV, mas o que eu acho importante mesmo é a valorização que Curitiba dá para o espaço. Além de ser um ponto turístico, é muito importante o incentivo à leitura e à cultura que se dá para as crianças no local. É um bom exemplo”, disse.

Mesmo quem reclama da presença do Bondinho na Rua XV acha que ele precisa de revitalização. “Para mim, a existência do Bondinho aqui é desnecessária. Só serve para morador de rua guardar objetos, outras pessoas guardam drogas… Acumula muita gente desocupada e mesmo assim os turistas continuam tirando foto. Acho que pelo menos tinha que reformar”, analisa Dhulliene Oliveira Rosa, vendedora de um comércio nas proximidades.

Solicitação da ACP

Além da população, a Associação Comercial do Paraná (ACP) também cobrou formalmente uma solução da prefeitura a respeito do estado de conservação do Bondinho. Em nota, a ACP disse que “por meio do Comitê do Centro Vivo e Conselho do Comércio Vivo da ACP, e seus respectivos coordenadores, Gilberto Cordeiro e Camilo Turmina, enviaram para a Prefeitura Municipal de Curitiba e para Fundação Cultural de Curitiba ofício solicitando a reforma do Bondinho da Rua XV”. Segundo a ACP, até o momento não houve retorno.

A Fundação Cultural de Curitiba (FCC), responsável pelo Bondinho, reconhece os problemas e informou que ainda não tem uma posição formal sobre a solicitação da ACP. No entanto, segundo a FCC, um edital está em fase final de elaboração para que seja realizado um restauro. A ideia é que a manutenção do espaço seja feita em parceria com iniciativa privada. Ainda não há um prazo para a conclusão do edital.

A FCC diz também que a parte interna do Bondinho está funcionando de maneira adequada e os problemas com a água da chuva ocorrem na área externa.

Bondinho da Leitura

Antigo bonde elétrico, historicamente ligado à área da cultura, o Bondinho da Rua XV já foi palco de inúmeras atividades artísticas e, também, já funcionou como um espaço para os pais deixarem seus filhos, enquanto circulavam pelo Centro da cidade. Depois de passar por obras de revitalização, em 20 de novembro de 2010, o local foi reinaugurado como Bondinho da Leitura e passou a ser um posto de atendimento para o empréstimo de livros, onde também são promovidas atividades lúdicas relacionadas à literatura.

Cerca de 2,5 mil livros estão disponíveis no acervo, inclusive os clássicos da literatura brasileira e universal. Os empréstimos podem ser feitos pelo leitor ao apresentar um documento de identificação com foto e comprovante de endereço.