A aglomeração de clientes domingo (7) na vila gastronômica Mercado Sal, em Curitiba, em plena pandemia de covid-19, ainda repercute nas mídias sociais e entre as autoridades. O prefeito Rafael Greca e a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, fizeram duras críticas não só ao estabelecimento no bairro Portão, que foi notificado pela prefeitura, mas a outros bares que não fizeram o controle de aglomerações de seus clientes no fim de semana.

O comportamento dos curitibanos no último fim de semana levou a prefeitura a reforçar o controle do isolamento social, principalmente com fiscalização em bares. De acordo com o boletim de terça-feira (9), a capital está em alerta com 62% dos leitos de UTI já ocupados por pacientes com covid-19. O Mercado Sal anunciou que vai ficar fechado uma semana para se adaptar a um controle maior dos clientes.

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Já a banda de pagode 100 Controle, que se apresentava no Mercado Sal no momento da aglomeração, virou alvo de duras críticas nas mídias sociais. Em defesa dos músicos, o vocalista Franklin Leal afirma que teve de parar o show de domingo várias vezes para tentar pôr fim à aglomeração. E pede desculpa pelo ocorrido.

“Paramos o show mais de 30 vezes, alguma por orientações dos responsáveis pelo Marcado Sal. Quando a gente recomeçava, as pessoas voltavam a ficar juntas”, explica. “Se houve algum erro por parte do grupo e o cidadão de Curitiba tenha se sentido lesado, tanto nós do 100 Controle quanto todo o Movimento Samba Solidário Curitiba pedem sinceras desculpas”, afirma o vocalista.

Franklin lamenta as fortes críticas que o conjunto vem sofrendo. E lembra que os músicos da banda, que existe há cinco anos, ficaram mais de três meses sem receber cachê quando os bares tiveram de fechar as portas por causa da pandemia. Mesmo assim, o grupo faz ações sociais, doando alimentos a famílias carentes na pandemia (leia abaixo).

Sobre o fato de nenhum dos músicos estar de máscara na apresentação, o vocalista afirma que eles estavam consumindo bebidas. “Alguns integrantes estavam realmente sem máscara, pois estavam consumindo algum tipo de líquido, algo comum da música”, diz Franklin Leal.

Três meses parados

A banda 100 Controle não tem uma formação definida: os músicos variam conforme o evento. No show do Mercado Sal eram oito integrantes. Franklin, músico há 22 anos, afirma que o trabalho da banda sustenta um total de 14 famílias. Antes da pandemia, o conjunto fazia em média 28 shows por mês. Com a doença, veio a proibição de cantar ao vivo e quase três meses sem trabalho.

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Com a reabertura dos bares mesmo durante a pandemia, o que exige cuidados do publico e dos donos do estabelecimento, surgiu a primeira proposta para retornar ao palco. “A gente já tinha feito shows no Mercado Sal e semana passada recebemos o convite. Foi muito bom, pois a gente estava parado e sem grana”, conta Franklin. “Mais de 90% dos músicos de Curitiba vivem de aluguel e estamos sofrendo”, completa vocalista. O cachê da banda no show do Mercado Sal foi de R$ 900, dando pouco mais de R$ 100 para cada integrante.

A aglomeração

A apresentação na vila gastronômica começou às 17h e no início não tinha muito movimento, com as pessoas sentadas e protegidas com máscaras, seguindo os protocolos sanitários. Com o passar do tempo e o consumo de bebidas alcoólicas, os frequentadores começaram a ficar mais animados. Aí o distanciamento entre as pessoas e a máscara foram esquecidos.

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Questionado se ficou algum tipo de arrependimento em realizar o show, Franklin reforça que os músicos de Curitiba estão enfrentando inúmeros problemas por causa do coronavírus e que as autoridades precisam também olhar para essas pessoas. “As críticas são normais, mas fico triste pelo rumo que tomou a situação. Naturalmente, não queríamos provocar isso, não temos essa intenção, mas estamos desamparados”, diz o líder da banda.

Ações sociais

A 100 Controle também é conhecida pelas ações sociais. Mais de 200 cestas básicas já foram entregues pelos músicos em comunidades carentes de Curitiba e região metropolitana. Além disso, em festas comemorativas, como Páscoa e Natal, o grupo se reúne para conseguir aumentar as doações.

Leo Santos, o Gotinha, responsável pelas mídias sociais e apoio na logística, ressalta que a banda colabora com lares de crianças e pessoas com dificuldade de locomoção. “Fizemos entrega de alimentos, leite, roupa e até bengala em vários lugares e estamos dando apoio para todos do grupo que estão com dificuldades neste momento. Somos autônomos e dependemos exclusivamente da música”, afirma Gotinha.

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Uma das ações a partir de agora é melhorar a imagem da banda diante da sociedade após o episódio do Mercado Sal. “É uma situação bem chata, pois está sendo uma exposição negativa da banda. É preciso lembrar que levamos alegria para os nossos fãs e estamos trabalhando para sobreviver”, reforça o responsável pelas mídias sociais.


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