Desolação. É esta a sensação que se tem diante das imagens de como ficou o Colégio Estadual Padre João Wislinski, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, após um furto registrado no local na tarde do último sábado (25). Ambiente após ambiente, o flagrante é de um vandalismo absurdo: são portas destruídas, papéis espalhados, geladeiras e armários abertos e quase vazios, utensílios de cozinha espalhados pelo chão, caos. Sem se limitar a objetos de valor, o ladrão não economizou na ação e passou como um furacão pelas dependências da unidade. Nem mesmo a merenda escolar ficou de fora.

Segundo apurado pela Tribuna do Paraná, não é de hoje que a escola enfrenta dificuldades. Tanto que o trabalho da diretora Lucimara Pereira nos últimos tempos abrangia um grande esforço para envolver a comunidade no cotidiano e desenvolvimento do espaço. Minutos antes de saber da invasão, inclusive, a gestora teria pedido aos colaboradores, via mensagens de celular, para que contribuíssem com donativos para a montagem de uma cesta de Páscoa. A ideia era promover uma rifa, angariar recursos e investir em melhorias no local.

Esses planos, no entanto, parecem coisa do passado. Ao menos por ora. Localizada em uma região relativamente carente da cidade, a escola perdeu materiais de limpeza, de escritório, computadores e dispositivos eletrônicos. “Levou muita coisa. Nós já vimos nas imagens de monitoramento que é uma pessoa desconhecida, aparece o rosto da criatura, e agora isso vai ser acrescentado no Boletim de Ocorrência que foi feito”, conta Lucimara. Mesmo consternada, ela diz se sentir aliviada pelo fato de o ladrão não ter conseguido acessar o laboratório de informática, nem a biblioteca e nem a secretaria. “Mas pegou merenda, produtos de limpeza, entrou na sala da Pedagogia”.

Professores e funcionários estão indignados com o crime. “Toda a equipe vem ajudando no trabalho de revitalização do colégio diante da falta de recursos. É triste ver o espaço para o qual nós nos dedicamos 24 horas por dia desse jeito. Em questão de minutos a marginalidade vem e acaba com tudo”, relata uma dessas pessoas. “É muita falta de segurança, agora até dentro da escola”.

Aulas não serão afetadas

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Educação confirma a invasão, mas assegura que, mesmo diante dos danos, as aulas não serão afetadas. O argumento é o de que isso só aconteceria caso a unidade não tivesse condições mínimas de segurança para receber os alunos, o que não é o caso.

O órgão relata ainda que parte da merenda de fato foi levada, mas em pequena quantidade, e que o Núcleo Regional de Educação já está ciente e trabalha no remanejamento de alimentos para atender aos estudantes. Além disso, docentes e direção já teriam se organizado para retomar as atividades normalmente.