Os ratos invadiram a Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba, mais uma vez. Nos últimos dias, comerciantes, moradores e turistas têm convivido com a presença dos animais, que em alguns momentos assustam pela quantidade. O local é no marco zero da capital, onde a cidade foi fundada, e fica na frente da Catedral Basílica e também no ponto de partida da Linha Turismo, uma das principais atrações para quem visita Curitiba.

“Nosso medo é de levar uma mordida e ser contaminado por estes bichos”, desabafa o vendedor de sorvete Antônio Evanildo. O homem, que tem 62 anos e mora na região central, disse que a proliferação de ratos fugiu do controle. “Há uma enorme criação de ratos na praça, eles só faltam atravessar a rua e entrar nas lojas. Estamos andando e trombando com ratos famintos”, comentou Antônio.

Outra comerciante, que tem banca na Praça Tiradentes há quase dois anos, disse que antes os ratos apareciam só a noite. “Agora eles aparecem durante o dia e estão sem medo algum dos humanos. Inclusive brigam com os pombos por comida. A situação está complicadíssima”, desabafou Débora Anadon, de 37 anos.

A reportagem da Tribuna esteve no local na manhã deste sábado (09) e flagrou, por volta do meio-dia, a “festa das ratazanas”. Pela manhã e durante a noite a situação é ainda pior.

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Segundo a comerciante, os bichos estão sempre em busca de comida e acabam permanecendo na praça porque ali encontram alimento. “Tem gente que recebe marmita, come e deixa jogado na praça, isso facilita. Mas também tem quem dê comida aos pombos e os ratos vão em cima. Virou disputa entre eles”.

Por ter banca na praça, a comerciante tem medo que os ratos invadam a estrutura e tragam prejuízos. “Já começamos até a reforçar a estrutura, porque a qualquer momento eles podem invadir em busca de comida. Ainda mais que temos doces na banca”, disse preocupada.

A Praça Tiradentes é um dos pontos turísticos de Curitiba e, conforme o vendedor de sorvetes, a situação é vergonhosa. “Os turistas chegam para ver um local bonito, histórico, e têm que presenciar uma situação desagradável dessas. A prefeitura precisa fazer alguma coisa, nem que seja espalhar veneno pela praça mesmo”, comentou Antônio.

O que diz a prefeitura?

Em nota, a prefeitura de Curitiba explicou que o controle de qualquer animal sinantrópico – que é aquele que se adaptou a viver com humanos, a despeito da vontade deles – depende de uma série de ações para impedir que tenham alimento, abrigo e acesso. “Ações de limpeza, feitas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, acontecem na região central da cidade praticamente 24 horas por dia, com varrição, lavagem de calçadões e recolhimento de lixo”.

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Já as ações da Secretaria Municipal da Saúde, que faz o controle químico nas praças do anel central de Curitiba, são realizadas a cada seis meses, ou quando necessárias e viáveis. Segundo a prefeitura, são levados em conta inclusive os riscos de contaminação ambiental, dos recursos hídricos e de envenenamento a outros animais e até pessoas.

População precisa ajudar!

Como disseram os comerciantes, um dos fatores que reforçam a presença dos ratos na praça é o fato de a população alimentar os pombos e até mesmo outras pessoas deixarem restos de comida pelo chão. Conforme a prefeitura, a população pode colaborar, “jogando restos de alimentos em locais apropriados e não dando alimentos para os animais sinantrópicos”.