Durante muitos anos, o tradicional bolo de Santo Antônio foi alvo de pessoas atrás das medalhinhas do santo casamenteiro, escondidas dentro do bolo. A crença católica conta que o sortudo que achar a medalhinha do santo, cujo dia se comemora em 13 de junho, será proposto em casamento. Porém, esse não tem sido o principal motivo pelo qual os curitibanos estão comendo o bolo ultimamente.

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No primeiro dia de vendas do bolo na Paróquia Bom Jesus dos Perdões, na Praça Rui Barbosa, no Centro, nesta sexta-feira (7), as pessoas procuram a medalhinha em cada garfada do bolo de 16 toneladas. No entanto, o desejo principal não é arranjar um casório, mas sim pedir proteção e ajudar a própria paróquia com o valor do pedaço.

“Eu vim aqui experimentar o bolo e se encontrar o santinho vou pedir proteção. Eu não quero casar, não”, conta a aposentada Theanw Casagrande. Para ela, o motivo para as pessoas comerem o bolo não deve ser só para achar o santo casamenteiro, mas ajudar a paróquia com os R$ 5 de cada pedaço de bolo.

O bolo é procurado por pessoas de todas as idades. Maria Irene Fugetti Gonçalves levou suas duas netas para experimentarem o doce. Em poucas garfadas, a caçula, de apenas 4 anos, encontrou a medalhinha. “Ela foi abençoada”, crê a avó.

E engana-se quem pensa que somente os solteiros comem o bolo de Santo Antônio. A dona de casa Carla Costa, 46, depois de anos atrás da medalha encontrou pela primeira vez o pequeno santo de metal no meio do bolo. Casada há 18 anos, acredita que o achado vai fortalecer seu atual relacionamento.

A universitária Giovana Ristu, de 19 anos, foi acompanhar a amiga que estava atrás do santo casamenteiro para achar um relacionamento. Porém, ela, que já é compromissada, queria saber mesmo de experimentar o bolo. “Eu vim acompanhar ela. Mas já aproveitei para dar uma provada, né?”, brinca.

Tradição

O bolo de Santo Antônio é um evento conhecido nas paróquias da cidade. Na Paróquia Bom Jesus dos Perdões, o doce é tão famoso que as pessoas chegam a esperar até três horas na fila.

“Tem dias que a fila sai para fora do portão da paróquia. As pessoas gostam e esperam muito tempo só para comer o bolo”, diz a organizadora do evento na paróquia há 25 anos, Nora Conceição dos Santos.

Ao todo, 120 pessoas trabalham na organização do evento. O bolo tem 16 toneladas e a preparação acontece ali mesmo, na paróquia. “Foi feita uma padaria permanente aqui dentro para que pudéssemos fazer o bolo com mais facilidade. Para cobrir os custos durante o ano todo, nós preparamos pães e vendemos no final de semana”, explica Nora.

A venda do bolo nas demais igrejas católicas de Curitiba começa a partir deste final de semana.

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