Alertar para que as pessoas evitem se refrescar nas cavas nunca é demais. No último dia 10 de setembro, quando o sol forte trouxe uma temperatura de mais de 30ºC, um menino de 9 anos morreu afogado ao entrar numa das cavas na divisa de Pinhais com Piraquara.

Mesmo com todos os riscos e avisos, as pessoas ainda insistem em uma aventura que pode ter um fim trágico. Segundo o Corpo de Bombeiros (CB), o número de afogamentos no Paraná em 2017 cresceu 69,4%, comparado ao mesmo período do ano passado. Já a quantidade de mortes caiu 25%. A corporação não tem estatística específica sobre ocorrências em cavas, mas atribui o crescimento ao forte calor registrado neste ano – tanto no verão, quando houve um expressivo número de casos no litoral do Paraná, quanto no inverno com temperaturas bem acima da média, como a Tribuna mostrou na sexta-feira.

Espaços como as cavas são perigosos para os adultos e se tornam ainda mais complicados para as crianças e adolescentes. Foto: Gerson Klaina.
Espaços como as cavas são perigosos para os adultos e se tornam ainda mais complicados para as crianças e adolescentes. Foto: Gerson Klaina.

De acordo com a capitã Rafaela, do CB, o principal fator que torna a cava um local proibido é simplesmente por não sabermos o que tem nela. “Geralmente, não sabemos sequer a profundidade da cava, o que faz daquele espaço um local ainda mais perigoso. É por isso que, todos os anos, reforçamos o alerta de que é importante que as pessoas não entrem”, explicou.

Conforme a capitã, espaços como as cavas são perigosos para os adultos e se tornam ainda mais complicados para as crianças e adolescentes. “Sabemos de muito adolescente e até mesmo crianças que vão sozinhas para estes locais. As pessoas não imaginam o risco que correm e essa supervisão precisa partir dos pais”.

Destino incerto

Como já foi noticiado diversas vezes, as cavas não são locais indicados para banho, principalmente nestes terrenos que ficam mais afastados da cidade. Dentro dessas espécies de rios formados artificialmente, além de um terreno irregular em que não é possível saber a profundidade, a água escura impede o banhista de ver onde pisa. “A pessoa pode até achar que está no raso, mas afunda quando dá um passo e já não consegue mais voltar”.

Além da falta de noção da profundidade, a capitã dos bombeiros também reforçou que o material existente dentro das cavas pode ainda contribuir para que haja um afogamento. “Os próprios galhos e a vegetação podem acabar prendendo a pessoa, por exemplo”.

Além da falta de noção da profundidade, o material existente dentro das cavas pode contribuir para o afogamento. Foto: Gerson Klaina.
Além da falta de noção da profundidade, o material existente dentro das cavas pode contribuir para o afogamento. Foto: Gerson Klaina.

O que fazer?

Apesar dos vários casos e dos incansáveis alertas, os próprios bombeiros sabem que se tornou impossível impedir que as pessoas entrem nessas águas perigosas. Por isso, a capitã explicou que, em caso de afogamento, é importante que, antes de tudo, o Corpo de Bombeiros seja acionado pelo número 193. “Jamais tente entrar e ajudar a pessoa, porque você também pode acabar se afogando. O que nós indicamos é que tente jogar alguma coisa onde ela consiga se segurar ou, ainda, boiar até que o socorro chegue”, finalizou.

Afogamentos no Paraná

Janeiro a julho de 2016: 626 casos e 4 óbitos
Janeiro a julho de 2017: 1.061 casos e 3 óbitos
Aumento de 69,4% nos casos e queda de 25% nos óbitos

Fonte: Corpo de Bombeiros