Anunciado terça-feira (27) em reunião na Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) como principal medida contra a onda de violência que assola o transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana – o que causou quatro mortes só nos dois últimos meses -, o monitoramento dos ônibus por câmeras não tem data para entrar em funcionamento. A instalação das câmera é a principal revindicação do Sindicato de Motoristas e Cobradores (Sindimoc) para conter os frequentes arrastões e assaltos nos ônibus.

Apesar de os testes já estarem acontecendo nas linhas intermunicipais, administradas pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), na capital a instalação não tem data para acontecer – apesar de a prefeitura descumprir a própria lei municipal 13.885/2011 que obriga a frota curitibana a ter câmeras.

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Na reunião de terça, o secretário estadual de Segurança, Wagner Mesquita, cobrou celeridade da Comec e da Urbs, que administra os ônibus em Curitiba, no processo de implementação das câmeras. Entretanto, o pedido vai levar um bom tempo para ser atendido.

A Urbs alega falta de dinheiro para a instalação das câmeras. A implantação do sistema só seria viável a partir da renovação da frota. E é aí que mora o problema.

Desde 2013 as empresas de transporte de Curitiba estão desobrigadas a trocar os veículos. A decisão judicial atendeu a um pedido das empresas, que alegam um desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão. Como a instalação das câmeras está vinculada à renovação da frota, o plano de segurança anunciado terça-feira vai se limitar ao reforço policial no monitoramento das linhas desde domingo (24), um dia a morte de uma passageira e um dos ladrões que tentaram um arrastão na linha Curitiba/Campo Magro em um tiroteio entre os criminosos e um policial da reserva que estava no ônibus. Urbs e a prefeitura tentam derrubar a liminar que impede a renovação da frota em Curitiba.

Teste

Já a Comec está testando o equipamento em algumas linhas. Oito empresas se propuseram a apresentar as tecnologias necessárias para o serviço. Os trabalho está sendo acompanhado pela Sesp, que vai centralizar o monitoramento das câmeras.

Quando estiverem funcionando, as câmeras dos ônibus serão integradas ao Centro Integrado de Comando de Controle (CICC) , setor da Sesp que monitora imagens de câmeras espalhadas pela cidade, bem como de presos com tornozeleira eletrônica. Até o final de outubro, uma das empresas será escolhida para executar o sistema nos ônibus intermunicipais e, a partir disso, serão escolhidas as linhas para a instalação.

A Urbs informa que está participando dos testes de câmeras da Comec e que poderá utilizar a mesma tecnologia nos ônibus da capital.