“Não vejo problema em fazer isso. Sou contra a instalação de radares e a ‘indústria das multas’. Consultei vários advogados antes da ação e estou dentro da lei”, disse o candidato a deputado estadual Paulo Demchuk (Pros) em entrevista à Tribuna do Paraná, quando questionado sobre uma ação que gerou polêmicas na noite desta quarta-feira (5), em Curitiba. Com várias equipes espalhadas pelo centro da cidade, ele “tapou” com placas pretas alguns radares instalados nos cruzamentos de ruas conhecidas. A atitude provocou divergência de opinião nas redes sociais.

O próprio candidato, que é advogado, comandou a ação na esquina da Rua André de Barros com a Rua João Negrão, por volta das 19h. Para realizá-la, Demchuk conta que pediu um parecer de maneira antecipada para seu advogado, Marcelo Araújo, ex-secretário de Trânsito exonerado por excesso de pontos na Carteira de Habilitação (CNH), para comprovar que não haveria problema na prática, algo bastante questionado pela população. “Consultei vários advogados previamente e nenhum deles encontrou ilegalidade”, apontou.

Logo depois da campanha, o candidato compartilhou a ação no Facebook, por meio de um vídeo, e alguns comentários foram escritos por internautas. “É a indústria da multa e a indústria dos pedágios, quando a estrada já foi paga com o dinheiro do contribuinte”, disse um dos seguidores que concorda com a atitude.

No entanto, algumas pessoas discordaram alegando que a culpa seria do motorista e que, sem o radar, a situação seria ainda pior. “Desculpe, mas quem gostou disso viola as leis de trânsito, e não quer punição”, disse um rapaz. Outro ainda questionou os motoristas. “Quer dizer que o problema é o radar e não o motorista que comete infração? Ê ‘Braseeeel (sic)’”, disse.

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Dentro da lei mesmo?

A reportagem entrou em contato com a Superintendência Municipal de Trânsito (Setran) do município para questionar a legalidade da prática do candidato. O órgão informou que situação foi encaminhada à Procuradoria-Geral do Município e uma análise deve determinar quais medidas podem ser tomadas, tanto na justiça eleitoral quanto na comum. A superintendente de Trânsito, Rosângela Battistella, diz que a atitude não é correta e acredita que esta é uma postura de pessoas infratoras.

“A gente encara como uma imprudência, um desrespeito a uma sinalização de trânsito que traz segurança aos motoristas e pedestres. Uma fiscalização evita acidente, evita a gravidade e, inclusive, serve para a segurança pública. Se o radar está no local é porque o local necessita, já que fazemos estudos para implementação de radares, lombadas eletrônicas. Se a pessoa defende a ação justificando que há uma ‘indústria da multa’, provavelmente essa pessoa tem participação nessas indústria. Acredito que essa pessoa deveria ter o cadastro verificado, porque provavelmente é um infrator costumaz, aquele que comete diversas multas”, apontou.

Rosângela ainda explica que o recurso arrecadado com multas é utilizado no trânsito – engenharia, educação e fiscalização. O parecer da procuradoria será apresentado em breve.

Procurada para se comentar sobre a postura do advogado, a Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná disse que não vai se pronunciar.

Um verdadeiro teste de paciência para quem mora no Tatuquara