Hoje a capivara pode ser considerada a mascote da capital paranaense. Personagem ilustre dos parques de Curitiba, ela rende memes, já virou modelo para pastel de feira e volta e meia viraliza nas redes sociais. Por aqui, uma família do maior roedor do mundo já foi até flagrada cruzando a rua na faixa de pedestres. Só que os animais populares, no “antigo normal” da cidade, eram outros. E por outros motivos.

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Lá no século 17, quem estava “na boca do povo” eram os porcos e os cães soltos no quadro urbano de Curitiba, alvos de reclamações dos moradores por prejuízos nos quintais e construções. Consequentemente, os animais passaram para a “mira” da Câmara e dos ouvidores, durante o processo de organização (e de urbanização) da vila.

Óleo de capivara em destaque, em jornais antigos de Curitiba. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC – Montagem: Carol Periard/CMC

Esse é um dos exemplos do “antigo normal” que a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) apresenta numa série especial de matérias históricas em comemoração aos 329 anos do Legislativo e da capital paranaense.  Com o “novo normal”, depois de dois anos de pandemia, a CMC tem debatido, por exemplo, a flexibilização do uso das máscaras e o fim das multas “anti-covid” ao comércio.  Já lá em 1748, por exemplo, os vereadores aprovaram uma postura (norma) para o extermínio dos porcos. 

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A reclamação era justamente que esses animais costumavam arrombar “quintais e ainda paredes de casas”, na época feitas com pedras e à base de argila (taipa). Só que as queixas persistiram e chegaram a resultar em uma crise entre os oficiais da Casa, em 1770. Lembrando que já havia sido determinada a matança dos porcos e dos cachorros soltos, o procurador do Conselho ordenou a prisão do alcaide (oficial de justiça) e do porteiro da Câmara.

Foto: Divulgação/CMC

Esses não eram os únicos animais que “atrapalhavam” a organização da vila. Na década seguinte, correição do ouvidor-geral Francisco Leandro de Toledo Rendon lembrou que o porteiro e o alcaide deveriam apreender o gado solto à noite. A justificativa, novamente, eram os “incontáveis prejuízos” à vila. Na discussão das Posturas de Curitiba de 1829, considerado o primeiro código consolidado pelos vereadores, o tema voltou a render alguns embates.

A guinada da capivara

A capivara, hoje a queridinha da cidade de Curitiba, não aparece, em nenhum momento, como “vilã” nessa história, quebrando cercas ou arrombando paredes. Registros em jornais locais, na segunda metade do século 18, na verdade, destacam a caça ao roedor cuja carne era comparada à da paca.

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Além da carne e do couro, a banha da capivara era usada pelas supostas propriedades medicinais. O “capivarol”, conforme matéria publicada em 1941, no jornal “Gran-Fina”, era indicado para a anemia, a falta de apetite, a insônia, como repelente e até para a tuberculose. Dizem que o “precioso líquido” era até exportado para outros países.

Foto: Divulgação/CMC

Histórias de Curitiba

Esta e outras histórias fazem parte do Nossa Memória, projeto da Diretoria de Comunicação Social da CMC, que resgata, ao longo da semana em que o Poder Legislativo e a cidade de Curitiba completam o 329º aniversário de fundação, alguns “causos” antigos. São histórias curiosas, que mostram um pouco do “antigo normal”, a partir das posturas determinadas pelos ouvidores-gerais e os vereadores.

O período da pesquisa começa em 1721, com os provimentos do primeiro ouvidor-geral da capitania, o português Raphael Pires Pardinho. A vinda dele à vila é considerada o quarto ato da fundação de Curitiba.

Além da busca em jornais antigos, o recorte passa pelas correições de outros ouvidores; segue pelas primeiras deliberações dos vereadores, ainda no século 17; e vai até 1831. Esse foi o ano que o Conselho-Geral da Província de São Paulo aprovou a versão final daquele que pode ser considerado o primeiro Código de Posturas da cidade, deliberado pela Câmara Municipal dois anos antes. 

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