A vereadora eleita Carol Dartora (PT), primeira mulher negra a ocupar uma das cadeiras da Câmara Municipal de Curitiba, registrou boletim de ocorrência no Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos (Nuciber), em Curitiba, na manhã desta segunda-feira (7), após receber uma ameaça de morte e diversas ofensas racistas por e-mail, no domingo (6). Carol que já afirmou que não pretende se tornar a próxima Marielle Franco – em referência à vereadora do Rio de Janeiro morta em 2018 – voltou a falar sobre o ataque, nesta segunda-feira.

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“Eu me senti apavorada, era meu endereço (no e-mail). Não é de hoje, não vou chorar porque falou que eu sou macaca, que meu cabelo é isso ou aquilo. Mas ter meu endereço realmente me deixou apavorada. Não dormi essa noite, qualquer barulho na porta eu já pensava que era alguém armado dentro da minha casa. O maior impacto foi justamente ameaçar minha vida e da pessoas que estão ao meu redor”, afirmou a vereadora, em entrevista ao jornal Meio Dia Paraná, da RPC. Assustada com o teor da mensagem, Carol também pedirá proteção para Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), para garantir sua segurança.

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O caso que é investigado pela Polícia Civil, também deve repassado para a Polícia Federal, já que além da nova vereadora de Curitiba, outras mulheres eleitas em municípios brasileiros em 2020 também têm sido alvo de ofensas pela internet. Ações que podem ter sido orquestradas por um mesmo grupo que seria responsável pela prática crimes de ódio no Brasil.

Apoio na Câmara

Os vereadores de Curitiba votam nesta terça-feira (8) um requerimento de moção de apoio à Carol Dartora. A proposição foi protocolada na noite de domingo (6) pela vereadora Professora Josete (PT), que chamou atenção para o caso na sessão desta segunda-feira (7). “Não vou nem repetir as palavras que foram usadas, porque me causam asco. Me entristece muito o grau de preconceito, de desumanidade”, disse. Na mesma sessão, os vereadores Herivelto Oliveira (Cidadania) e Pier Petruzziello (PTB), líder da base do prefeito, adiantaram que subscreverão o pedido.

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Na justificativa do requerimento, a vereadora estende o apoio às vereadoras eleitas em Belo Horizonte Duda Salabert (PDT), em Joinville (SC), Ana Lucia Martins (PT) e à prefeita eleita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota). que também foram alvos de ataques.

“Nos deparamos nos últimos dias com inaceitáveis casos de ameaça de morte e injúrias raciais a mulheres negras eleitas em diversas cidades do país, o que torna ainda mais evidente o racismo estrutural presente na sociedade brasileira”, escreveu Josete. No sábado (5), em entrevista à GloboNews, o prefeito Rafael Greca (DEM) afirmou não concordar com a existência de racismo estrutural em Curitiba.