Certamente você conhece alguém que iria casar nos próximos meses, fazer a viagem dos sonhos ou que acabou de abrir um negócio. Todo mundo está sendo afetado de alguma forma pelo coronavírus.

Aqui na Tribuna do Paraná, você já leu como a crise atinge as pessoas mais pobres, os trabalhadores autônomos, os profissionais da saúde, os infectados pela convid-19, entre outros. Mas a pandemia também atrapalha os planos de longa data. Por isso, ouvimos quatro histórias de como o coronavírus adiou sonhos pessoais.

O casamento adiado

Pedro e Luana adiaram o casamento por conta do coronavírus | Foto: Arquivo pessoal

Desmarcar um casamento dá tanto trabalho quanto agendá-lo. Além da frustração pelo adiamento do matrimônio, várias questões burocráticas precisam ser resolvidas: o contrato com o buffet, com a decoração, os fotógrafos, a igreja, as datas disponíveis. Sem falar na lua de mel, as passagens, os hotéis, as férias programas.

O engenheiro Pedro Henrique Gaio, 27 anos, e a advogada Luana Rutz, 27 anos, estavam com tudo pronto para casar no final de maio. Mas o adiamento foi inevitável com a chegada da pandemia. A data passou para o final de agosto, mas eles ainda não fazem ideia se até lá já será possível realizar a festa.

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“Acho que é o destino porque todas as nossas datas são em agosto. Nos conhecemos em agosto, começamos a namorar em agosto, meu aniversário é em agosto. Agora só falta casar em agosto”, brinca o noivo, que torce para que a pandemia esteja controlada até lá.

Para a lua de mel, a viagem estava programada justamente para a Itália, o epicentro do coronavírus na Europa, passando por França e Inglaterra, países que também enfrentam altos índices de covid-19. “Sempre foi nosso sonho ir para Paris juntos. Podemos dizer que 95% do casamento estava pronto”, conta Luana. 

Agora, se o casamento for mesmo em agosto, nem a lua de mel no litoral do Paraná está descartada. “Vai ser o jeito, porque para a Europa esse ano acho difícil poder ir”, descontrai a noiva.

Com o adiamento, o casal também ficou sem os presentes de casamento. Como eles acabaram de juntar as escovas, a vida do casal no novo lar ainda está no improviso. “Muita coisa a gente ia ganhar de presente. Agora não sabemos o que comprar ou não”, diz Pedro. “O jeito é ‘roubar’ algumas panelas da casa dos pais”, brinca Luana. 

Só em 2021

Gustavo e Juliana agora só vão casar em 2021 | Foto: Arquivo Pessoal

Já o servidor público Gustavo Kuinsler, 30 anos, e a autonôma Juliana Langer, 29 anos, iriam se casar fora do Brasil. O casal tinha tudo programado para o sonho de trocar alianças em Cancún, no México, na metade de abril. Tudo planejado há mais de um ano com uma agência de casamentos. Além do casal, todos os convidados que iriam viajar tiveram que adequar a agenda.

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“Não tivemos nenhum problema para remarcar. Agora será em 2021, que era a data disponível. Mas pelo menos vai ter um bom tempo porque não sabemos como as coisas vão estar nos próximos meses. São 33 convidados e todos tinham se ajeitado para poder ir. Todo mundo conseguiu entrar em contato para alterar a data de viagem”, afirma Juliana.

O negócio recém-aberto

Paulo Lima espera superar crise com negócio recém-aberto | Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná

Quando saiu de Fortaleza, há dois anos, o empreendedor Paulo Lima, 34 anos, veio à Curitiba com o sonho de crescer profissionalmente. Por isso, resolveu arriscar e vendeu a casa para investir no próprio negócio. 

Após meses de pesquisando, Paulo abriu uma franquia de calzones no Centro de Curitiba. “O foco do restaurante é o delivery e quando a crise começou, nós achávamos que iria até ter um aumento nos pedidos. Mas o que se viu foi o contrário. Houve queda de 70% nas vendas”, explica o empresário.

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O objetivo de Paulo é crescer no ramo e ter mais de uma franquia. Para isso, ele não pode deixar o negócio quebrar, o que exige sacrifícios. “Preciso vender quase com preço de custo para poder pagar as contas. Acredito que a loja vá sobreviver, mas estou na corda bamba”, analisa. 

Mesmo com as dificuldades, Paulo não deixa de lado é o otimismo. “Eu não posso fechar e vou fazer de tudo para seguir em frente”, garante.

A viagem da vida

Ciro Zanata havia se planejado para assistir shows de rock na Alemanha nas férias em julho. Foto: Arquivo pessoal

Quem gosta de festivais de música sabe o que um evento como esse representa na vida de cada um. Desta forma, o analista de sistemas Ciro Zanata, 38 anos, havia bolado um plano perfeito para curtir shows de rock pela Europa. Metaleiro desde os 13 anos, ele iria ao festival de heavy metal Wacken, na Alemanha, no final de julho. Guardou dinheiro por um ano, batalhou por um ingresso e estava com o mochilão pronto para partir. Mas aí chegou a pandemia.

“É um festival muito famoso para quem curte metal. São três dias de show e os ingressos se esgotam rápido quando são anunciados. Ia chegar dois dias antes e ficar acampado lá por cinco dias. Para complementar, antes de ir para a Alemanha já tinha ingresso para o show do Iron Maiden, em Barcelona, na Espanha”, conta Ciro.

“Eu estava com muita expectativa e fiquei triste, né. Eles adiaram o festival para a mesma data em 2021, mas meu plano é ir. O meu medo é de não estar tudo normalizado até lá”, confia.


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