A prefeitura de Curitiba adquiriu seu próprio “castramóvel”, um veículo equipado com centro cirúrgico, com o qual pretende esterilizar uma média de 500 animais por mês, entre cães e gatos abandonados ou que pertençam a famílias que não tenham condições financeiras de pagar pela castração. A nova aquisição deve começar a funcionar no ano que vem, a partir de parcerias com universidades. Hoje, dois castramóveis – de clínicas particulares cadastradas – realizam os procedimentos na cidade.

O veículo comprado pela prefeitura corresponde a um trailer de nove metros de cumprimento, com aparelhos necessários para as cirurgias e com uma estrutura que se converte em tendas para cadastrar e atender os beneficiários. O castramóvel é dividido em sala de tricotomia (onde os animais são preparados para o procedimento), sala de antissepsia (uma espécie de lavabo cirúrgico) e centro cirúrgico, com capacidade para atender até dois animais simultaneamente.

A aquisição foi efetivada por meio de licitação realizada no dia 30 de agosto. A empresa vencedora – da cidade de São Paulo – tem um prazo de 60 dias para entregar o veículo, que custará R$ 265,2 mil. O dinheiro provém do Fundo Municipal do Meio Ambiente, composto por recursos arrecadados a partir de multas ambientais aplicadas pelo município.

“Ou seja, é o dinheiro dessas multas é que está pagando o castramóvel”, resumiu o coordenador da Rede de Proteção Animal, Paulo Colnaghi.

O castramóvel vai rodar por bairros das dez regionais de Curitiba, seguindo um cronograma pré-estabelecido. Qualquer pessoa que seja beneficiária de programas sociais federais ou municipais (inclusive o Armazém da Família) pode levar seu cão ou gato para ser esterilizado gratuitamente. O programa fornece ainda todos os medicamentos para o pós-operatório dos animais.

O procedimento é rápido: em 20 minutos, o animal é castrado e, assim que começa a “acordar” da anestesia, o dono já pode levá-lo para casa. Antes de ser submetido ao procedimento, os mascotes passam por uma avaliação, realizada por veterinários.

“Com este programa, a gente consegue chegar perto das comunidades e esterilizar animais de pessoas que não têm condições de levar seu cachorro ou seu gato a uma clínica veterinária ou que não têm condições de pegar pelo procedimento”, disse Colnaghi.

Mitos

Entre julho e agosto deste ano, 5,1 mil animais (cães ou gatos) foram esterilizados em castramóveis particulares. Eles começaram a participar do programa após vencerem licitação e recebem por procedimento realizado – a prefeitura paga R$ 141, por cão castrado e R$ 121, por gato. A meta é que até o fim deste ano sete mil animais tenham sido esterilizados por meio desta iniciativa.

Um dos castramóveis em operação em Curitiba é de pequeno porte – com capacidade de fazer 40 castrações por dia. É adequado a se deslocar por pequenas comunidades ou áreas pouco urbanizadas, em que as ruas são mais estreitas. O outro veículo tem uma estrutura maior. Comporta até 17 profissionais, que podem realizar, simultaneamente, quatro esterilizações.

Além de realizar as cirurgias, os castramóveis também funcionam como foco de educação ambiental. As equipes ministram pequenas palestras e desfazem mitos, principalmente relacionados à castração. Não é raro que cheguem às unidades pessoas resistentes à esterilização por acharem que o processo prejudicaria os animais – provocando aumento de peso ou alteração no comportamento dos bichos.

“A gente escuta muito que o cachorro vai ficar ‘burro’, que vai perder a masculinidade, que tem que deixar a fêmea cruzar uma vez pelo menos. São mitos, porque as pessoas ainda não conhecem os benefícios do procedimento”, aponta Conalghi. Segundo a Rede de Proteção Animal, a esterilização reduz o risco de câncer de mama e útero nas fêmeas e de próstata nos machos e nos testículos; reduz latidos, miados e agressividade; além de ser a principal ação para reduzir a superpopulação de animais de rua.