Segue o drama dos empresários donos de centros esportivos em Curitiba, por causa da pandemia de coronavírus (covid-19). Considerado local de alto risco de contágio, os espaços que costumam locar quadras para jogos de futebol, futevôlei e afins seguem fechados desde que a pandemia começou, em março do ano passado. Em todo esse período, o setor só chegou a reabrir por dois meses, mas medidas impostas pelas mudanças de bandeiras que acompanham o risco de contágio na capital acabaram mantendo os espaços fechados. Greca já sinalizou, porém, que pretende reabrir a cidade após a Páscoa.

Nesta semana, a Associação Paranaense dos Centros Esportivos (Apace) escreveu uma carta aberta aos governantes para que revejam as decisões e permitam a reabertura baseada em rígidos protocolos sanitários. Os empresários querem evitar o fechamento definitivo das empresas que são associadas, em  Curitiba e região metropolitana.

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Essa não é a primeira vez que a Apace tenta debater a reabertura com as autoridades sanitárias. Ano passado, a associação, que tinha sido recém criada, formalizou um protocolo sanitário específico do setor para poder reabrir. O protocolo limitava o uso dos espaços somente aos atletas, com vestiários e chuveiros interditados, sem presença de torcida e sem a permanência deles nos locais, após o término dos horários locados. Um desses espaços, em Curitiba, chegou a criar um futebol sem contato batizado de New Fut, onde os jogadores ficavam limitados a ocupar quadrados pintados na grama sintética.

Em janeiro deste ano, em outra tentativa de conseguir autorização para reabrir, empresários protestaram em frente à prefeitura de Curitiba e foram recebidos em audiência, na qual apresentaram seus motivos, entre eles a importância da prática esportiva no combate à pandemia e o alto risco de falência de empresas do setor. Outro argumento foi que setores autorizados para reabrir, como o dos shopping center, aglomeravam muito mais pessoas do que os centros esportivos. Na ocasião, a resposta da Secretaria Municipal de Saúde foi negativa, sob a alegação do intenso contato físico – e sem máscara – entre atletas de diferentes grupos familiares, o que poderia promover o contágio da covid-19.

Risco de quebradeira geral

Segundo o vice-presidente da Apace, Claudinei Santos, não há mais condições dos centros ficarem fechados. “Estamos à beira de um colapso financeiro nas empresas do segmento. Estamos a cerca de nove meses fechados, se somar todos os períodos de suspensão. É um absurdo. Nos enquadram como não essenciais e não nos dão suporte financeiro. Empresários estão desesperados porque já não possuem mais recursos para as despesas, especialmente aluguel, que é alto, e outras como salários dos funcionários e dos proprietários”, explica o vice-presidente

Ainda segundo ele, a carta da Apace é endereçada a vários representantes do poder público. “O pedido é para que possamos reabrir junto com todos os outros setores não essenciais e, na hipótese de não nos autorizarem, que considerem um Plano de Recuperação e Apoio Financeiro, senão vamos falir”, disse.

De acordo com a Apace, dos cerca de 300 centros esportivos associados e localizados em Curitiba e região metropolitana, muitos já fecharam as portas e vários estão mudando de segmento, demitindo funcionários ou correndo o sério risco de fechar definitivamente. “Está um caos”, alerta Santos. Na carta, a associação manifesta preocupação com a manutenção das empresas e do emprego dos colaboradores. “Não temos mais condições financeiras e psicológicas de mantermos os mesmos níveis de emprego e empresas em atividade. O estresse já tomou conta de todos. Preocupações de toda natureza, inclusive com a própria saúde física e mental dos empreendedores e funcionários, bem como a saúde financeira de nossos empreendimentos têm afetado a rotina e a vida de todos”, começa o texto da carta.

A Apace também diz que tem feito o possível para ajudar o estado e o município no combate à pandemia. E defende que o protocolo sanitário apresentado é suficiente para manter a segurança nos locais. “Os procedimentos adotados seguem as diretrizes da OMS e de especialistas da área de saúde de municípios que avaliaram o segmento, definiram parâmetros e autorizaram a reabertura das quadras esportivas. São as análises e pareceres destes mesmos profissionais que nos embasam e garantem nossa convicção de que não somos o maior responsável pela situação de transmissão do vírus”.

A carta foi redigida na segunda-feira (22). Até o momento, de acordo com o vice-presidente, a Apace não obteve resposta. “Enviamos a carta aberta para todas as pessoas citadas. Nenhum retorno”, finaliza Santos.