A Vila Nossa Senhora da Luz, que foi notícia em julho, quando Diandro Claudio Melanski, de 38 anos, que comandava o tráfico de drogas na região foi morto, volta ao noticiário policial. O também traficante Éder Conde, 40, apontado como o principal rival de Diandro, foi preso mais uma vez neste sábado (20). Com ele, os policiais encontraram grande quantia em dinheiro.

Apontado pela polícia como o maior traficante de Curitiba e região metropolitana e um dos maiores do Paraná, Éder foi detido por uma equipe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Ele estava com um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas.

Registro de quando Éder foi preso, em 2010. Foto: Arquivo.
Registro de quando Éder foi preso, em 2010. Foto: Arquivo.

Logo que foi detido, os policiais fizeram uma vistoria e, com o homem, encontraram R$ 34 mil em dinheiro. Careca, mas com a mesma aparência, Éder Conde foi preso na casa da mãe dele, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Ele foi encaminhado ao Cope.

Das antigas

Éder é considerado um homem perigoso e velho conhecido da polícia, desde 2000, por já ter sido preso várias vezes por tráfico de drogas. A prisão de maior repercussão foi em 2010, quando ele foi detido em uma operação da Polícia Federal (PF), pelo mesmo crime que já leva muitos registros na ficha.

Conforme a PF, na época, ele seria responsável por movimentar 400 quilos de cocaína por ano e aproximadamente R$ 6 milhões. Mais dez pessoas foram detidas, todas com mandado de prisão preventiva, entre elas a namorada de Eder, Suzimara Lima Steff, que foi segunda colocada no concurso Miss Curitiba 2010.

Tráfico na vila

Conhecido como “Beira-Mar de Curitiba”, o homem foi notícia em julho, quando Diandro, intitulado pelos moradores da CIC como o “patrão” do tráfico do bairro, foi executado. Comentários na região onde o crime aconteceu eram de que Éder estaria por trás do assassinato, por causa de uma disputa antiga entre os dois.

Diandro foi executado dentro de carro na CIC.
Diandro foi executado dentro de carro na CIC.

Conforme apurou a Tribuna do Paraná, os comentários nas ruas da CIC eram de que Diandro já foi o braço direito de Éder Conde, que, em 2010, era o patrão do tráfico no bairro. Com a prisão de Éder, pela PF, Diandro assumiu a posição do ex-patrão. O fato de Diandro ter assumido a posição de Éder não teria agradado o homem e gerou rixa entre os dois.

Éder saiu da cadeia em 2015, foi preso logo em seguida, pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por usar policiais como segurança, mas estava solto. Ao saber das notícias, ele chegou a se apresentar, espontaneamente, à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para dizer que não teve relação com o crime. A participação dele ainda não foi totalmente descartada pela DHPP, que continua investigando.

Toque de recolher

A morte de Diandro causou tamanho alvoroço, que na Vila Nossa Senhora da Luz, de onde ele comandava a distribuição de drogas, houve um toque de recolher. Escolas dispensaram alunos, moradores foram orientados a não sair de casa e até ônibus do transporte coletivo não circularam na região. Este toque de recolher, segundo pequenos traficantes e moradores, era uma represália pela morte do “patrão” do tráfico.

O toque de recolher fez com que a vila amanhecesse vazia. Foto: Gerson Klaina/Arquivo.
O toque de recolher fez com que a vila amanhecesse vazia. Foto: Gerson Klaina/Arquivo.