O concurso da Polícia Civil do Paraná (PCPR) para os cargos de delegado de polícia, investigador e papiloscopista que enfrentou problemas, chegou a ser suspenso e rendeu transtornos para os candidatos antes mesmo da realização das provas (leia mais abaixo), agora passa por uma nova polêmica. Desta vez, são os fiscais do concurso que reclamam e afirmam não terem recebido o pagamento pelo dia de trabalho na aplicação das provas da primeira fase, no dia 3 de outubro de 2021.

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De acordo com os fiscais que procuraram a Tribuna do Paraná, o prazo para o pagamento das diárias, que variam entre R$ 120 e R$ 145, pelo Núcleo de Concurso da Universidade Federal do Paraná (UFPR), era até o dia 7 de dezembro, ou seja 45 dias após a realização das provas. No entanto, passados mais de 73 dias até o momento, os relatos são de que o pagamento não chegou e que poderá ser feito somente em 2022.

“É uma total falta de respeito com o colaborador que trabalhou ficar sem pagamento. Isso é um absurdo. Trabalhamos no dia 3, das 10h30 às 19h. E sem alimentação, tivemos que levar de casa, já que não podemos sair pra comprar depois que entramos. Eu estava contando com o dinheiro e, no fim das contas, fui prejudicada”, conta a educadora social Natalie Juliana korobinski, 23 anos, que foi fiscal no concurso da PCPR.

Outra fiscal de prova, Patrícia Elisabet de Luján Rodriguez, também não recebeu e diz que mais pessoas que trabalharam na mesma escola que ela estão na mesma situação. “Trabalhei no concurso público da Polícia Civil e o Núcleo de Concurso da UFPR nos deu um prazo de 45 dias úteis para fazer o pagamento. Este prazo venceu e eles nos informaram que irão pagar somente no ano de 2022, e sem data prevista. No colégio onde trabalhei e nos demais da região, o pessoal relata que não recebeu também”.

“A UFPR faz os concursos e não paga as pessoas que trabalham para eles, trabalhamos no dia 3 de outubro e até agora nada. Estão achando que somos palhaços para trabalhar de graça”, reclama indignada a gerente de loja, Keila Fernandes, 25 anos, que também atuou como fiscal na prova do concurso da PCPR, em outubro.

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O que diz o Núcleo de Concursos da UFPR?

Procurado, o Núcleo de Concursos da UFPR (NC/UFPR), contratado pelo Estado do Paraná para a realização do concurso público da PCPR, informou por meio de nota, que “o atraso no pagamento é um fato excepcional, sem precedentes na história do NC/UFPR, e causado por uma situação também excepcional: a pandemia de Covid-19, que alterou drasticamente as condições para a realização do concurso, cujo contrato foi assinado antes do início da pandemia”.

Ainda de acordo com o NC/UFPR, a necessidade de garantir distanciamento físico entre os candidatos no dia da prova exigiu ampliação substancial no número de salas e, em consequência, no número de colaboradores, que passou dos 8 mil previstos inicialmente para mais de 16 mil. “Com isso, o valor referente às primeiras parcelas pagas ao NC pela contratante não foi suficiente para cobrir as despesas com colaboradores”, diz a instituição, em nota.

Sobre a previsão de pagamento aos fiscais, o Núcleo afirmou ainda, que “encaminhou à Polícia Civil um pedido de adiantamento do saldo a receber e de reequilíbrio financeiro do contrato e aguarda retorno para que possa cumprir as obrigações financeiras pendentes”.

Já a Polícia Civil do Paraná (PCPR), informou por meio de sua assessoria, que não atua na contratação deste pessoal.

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Problemas antes das provas

Os problemas envolvendo o concurso da Polícia Civil do Paraná (PCPR) começaram ainda antes das provas. Na madrugada do dia 21 de fevereiro deste ano, o concurso foi suspenso pela banca examinadora horas antes da aplicação dos testes aos candidatos. A informação foi confirmada, na data, pelo Núcleo de Concursos da UFPR (NC/UFPR). O motivo alegado para o cancelamento das provas foi a falta de segurança sanitária em todos os locais de ensalamento em Curitiba e demais cidades, pela falta de equipamentos necessários para a proteção dos candidatos. 

Depois disto, em meio às polêmicas geradas, o coordenador do Núcleo de Concursos, Altair Pivovar foi substituído pela Universidade Federal do Paraná por Alexandre Trovon de Carvalho. E a UFPR ainda foi multada em R$ 1,3 milhão pelo cancelamento do concurso.

Remarcadas, as provas objetivas da primeira fase foram realizadas em 3 de outubro de 2021. A definição da nova data ocorreu, segundo o NC-UFPR, após tratativas feitas entre a Direção da PCPR e a Presidência da Comissão do Concurso Público. A prova foi aplicada de maneira descentralizada, em diferentes cidades do Paraná.

Já a segunda fase, teve provas de conhecimento específico para as vagas de delegado de polícia, realizadas no último domingo, 12 de dezembro, no Centro Politécnico, em Curitiba. Participaram desta etapa, 1.174 candidatos. Destes, os 500 candidatos com melhor pontuação serão classificados, mais os empatados na última colocação. Eles poderão prosseguir nas demais fases, que são as provas de títulos, higidez física, aptidão física e de investigação de conduta.

Ao todo, mais de 100 mil candidatos de todo o Brasil concorreram neste concurso a uma das 400 vagas, para os cargos de delegado de polícia, investigador e papiloscopista na Polícia Civil do Paraná.

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