Confusão e corre-corre, incerteza e revolta. Assim foi a manhã em alguns supermercados de Curitiba neste sábado, poucas horas depois de a Prefeitura decretar lockdown. O decreto da bandeira vermelha limitou a este tipo de estabelecimento a venda de apenas produtos considerados essenciais, como alimentos e produtos de higiene.

Mas o que fazer nos supermercados que vendem de tudo um pouco hoje em dia, como pneus, eletrodomésticos e roupas? Pois é, essa foi a confusão.

Alguns supermercados isolaram completamente corredores inteiros nas primeiras horas da manhã. A redação recebeu um vídeo que mostra o Condor da Nilo Peçanha, no bairro Bom Retiro, com alguns destes corredores interditados. O cliente que fez as imagens estava revoltado. No entanto, no período da tarde, os corredores estavam liberados, bem como a venda dos produtos.

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O decreto da bandeira vermelha diz:

A comercialização nessas atividades se limita a produtos de alimentação, bebidas, higiene e limpeza. Nenhum estabelecimento com autorização para funcionar poderá ter ocupação acima da metade de sua capacidade. Os estabelecimentos também devem adequar o expediente dos funcionários aos horários de funcionamento estabelecidos”.

Produtos costumeiramente ofertados nos mercados como roupas, produtos de bazar, eletrodomésticos, utilidades, brinquedos e afins não podem ser vendidos. No entanto nossos repórteres foram até quatro mercados diferentes e a venda de produtos considerados não essenciais ocorria normalmente. No final das tardes os mercados estavam lotados.

Foto: Gustavo Marques

Mercados se posicionam

A Apras, Associação Paranaense dos Supermercados, emitiu uma nota oficial dizendo que seus representados vão acatar a decisão da Prefeitura e orientar os associados para que se adequem às medidas, mas que se preocupa com a redução do horário de funcionamento dos supermercados. “A medida pode gerar grandes concentrações de pessoas buscando as lojas para suprir suas necessidades básicas”.

A nota diz ainda que “como a maior parte da população estará em casa, aumentará a necessidade de compras essenciais, visto que antes as pessoas acabavam se alimentando no trabalho ou em outros locais”.

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Sobre a necessidade de isolar as áreas em que são ofertados produtos não essenciais, a Apras também demonstrou sua preocupação. “Outra preocupação é com a dificuldade para realizar o isolamento das áreas não essenciais. Hoje, as redes supermercadistas costumam realizar um gerenciamento de categorias que nem sempre concentra todos os produtos de um setor em apenas um local, o que dificulta ainda mais o trabalho”.

A Apras destaca que os supermercados estão correndo contra o tempo para se adequar ao decreto e agindo com foco na segurança e na saúde de todos. A entidade pede para que a população colabore e ajude o setor, evitando aglomeração externa nas lojas e respeitando a decisão da Prefeitura de que apenas um membro da família vá às compras.

E ai, Procon?

Se por acaso você foi ao mercado, não conseguiu comprar algo não essencial e tá pensando em procurar o Procon-PR, a coordenadora do órgão, Claudia Silvano, dá o recado: “As pessoas estão morrendo. Tem que cumprir o decreto e ponto final. É um momento de absoluta mobilização, que requer medidas excepcionalíssimas, que restringem algumas situações. Mesmo assim esta garantido para esses dias o acesso a alimentação e produtos que garantam higiene. Mas comprar uma TV? Uma batedeira? Roupa? Temos que ter bom senso nessa hora, senão não tem poder público que dê conta, não têm sistema de saúde que dê conta, não têm hospital que dê conta”.

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A Apras pede paciência dos clientes e respeito ao trabalho dos funcionários dos supermercados. “Outro pedido é que os clientes entendam que os colaboradores dos supermercados não estão medindo esforços para melhor atender a todos e que trabalham no cumprimento das normas estabelecidas no decreto”.

Um dos supermercados logo pela manhã; Foto: Reprodução

E ai, Prefs?

Questionada sobre a medidas em específico, a Prefeitura se pronunciou pela assessoria de imprensa. “O embasamento dessa medida é o mesmo do decreto da bandeira vermelha e considera o agravamento da covid-19 e a iminente falta de leitos na rede de saúde”. O objetivo é reduzir o tempo em que as pessoas passam dentro dos restabelecimentos.

Não há previsão, por enquanto, de revisão nesta medida que proíbe a venda de produtos não essenciais em supermercados. A assessoria recomenda ainda que denúncias de desrespeito às medidas sejam feitas pelo telefone 156.