Com a educação em primeiro lugar e credibilidade com a vizinhança, os bairros Mercês e Vista Alegre estão longe de assumir as primeiras colocações no ranking de crimes em Curitiba. No entanto, a distância para os problemas não estão longe, e a preocupação com a desordem, arrombamentos em condomínios, golpe em idosos e pequenos furtos deixam o sinal de alerta ligado na região. Motivos não faltam para que Conseg Mercês-Vista Alegre siga sendo referência no trabalho com a sociedade.

Os dois bairros possuem características importantes para a cidade com traços arquitetônicos aliando antiguidade com o moderno. Igrejas tradicionais como a Nossa Senhora das Mercês ou Capuchinhos tem na proximidade a Torre Panorâmica com mais de 109 metros, Canal da Música e Museu da Vida inspiram conhecimento e arte para a cidade.

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Apesar dessa ligeira tranquilidade comparado a outras regiões de Curitiba, Mercês e Vista Alegre possuem ocorrências que muitas das vezes são resultados de confusões em bairros mais agitados ou boêmios como o Centro e o São Francisco. Em muitas das vezes, quem apronta no Largo da Ordem, corre em direção a Manoel Ribas para despistar autoridades ou mesmo gangues rivais.

A partir dessa observação e crimes de pequeno porte, moradores iniciaram um projeto chamado Mercês + Segura. Na época, o objetivo foi proporcionar uma segurança para quatro idosos que tinham receios de sair de casa ou mesmo voltar para a casa dos filhos. A ideia foi aprovada pela vizinhança, e hoje abrange 1800 pessoas.

A criação foi ideia de Leonardo Sikorski, filho de Regina Sikorski, em 2017. Professora por mais de 40 anos, Regina abraçou a causa da proteção, e muitas das vezes precisa falar que não é candidata a nenhum cargo público. “As pessoas confundem, e a reafirmo mais uma vez, não tenho pretensões políticas. Eu fui professora por quase quatro décadas e quando aposentei procurei o voluntariado. O problema que eu ficava muito deprimida, pois eu não conseguia resolver os problemas em definitivo. Cheguei a ficar depressiva, mas o Mercês + Segura ajudou”, relembrou Regina.

Mercês e Vista Alegre possuem ocorrências que muitas das vezes são resultados de confusões em bairros vizinhos. Na foto, a praça Himeji.
Mercês e Vista Alegre possuem ocorrências que muitas das vezes são resultados de confusões em bairros vizinhos. Na foto, a praça Himeji. Foto: Arquivo.

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Com a experiência do projeto e conhecimento das autoridades policiais, Regina virou uma espécie de “xerife” das Mercês-Vista Alegre. Se alguém precisa mediar uma conversa na delegacia, escola e bares, ela é a primeira a chegar e última a sair. Com disposição de sobra, essa senhora que vai completar 70 anos, foi convidada para ser a presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg). “Foi um momento especial quando tomamos posse em dezembro do ano passado. Não somos um grupo que só fica postando nas redes sociais, somos um peão, pois não temos horário para auxiliar o morador. O nosso Conseg se apoia na educação, pois a vitória é maior na vida quando se tem educação. Criou-se uma credibilidade e outros lugares nos pedem socorro”, disse a simpática Regina.

Módulo policial na Praça 29 de Março e golpes em idosos

Um dos pontos mais críticos na opinião da presidente do Conseg Mercês-Vista Alegre é a Praça 29 de Março, localizada entre as ruas Padre Anchieta, Brigadeiro Franco, Martin Afonso e Desembargador Motta. Com grande circulação de veículos durante o dia, comércio e feira aos domingos, o local acabou atraindo pessoas que estão dispostas a incomodar. “Há três anos que o Conseg luta para conseguir na praça um módulo para a Guarda Municipal (GM). Ali tudo começa e termina, é um grande problema. Já foi feito um abaixo-assinado, e nada de uma resposta positiva”, comentou Regina.

Grande parte dos moradores dos bairros são pessoas idosas. No entanto, estelionatários costumam aparecer com frequência na região. Golpes como do bilhete premiado e outros oriundos da internet já complicaram a vida de várias pessoas. Para evitar transtornos, o Conseg realiza ações com palestras e lives que contam com a participação de autoridades ligadas ao assunto. “Temos uma parceria interessante com a delegacia de Estelionato, pois infelizmente, isso ocorre na região. Um diferencial nosso que antes da reunião mensal do Conseg, já fizemos o questionamento com as autoridades, e chegamos com a resposta”, relatou a presidente.

Vizinhos do barulho

Geograficamente, Mercês e Vista Alegre estão perto do Centro de Curitiba, e dependendo do local e trânsito, não dá cinco minutos até o Largo da Ordem, marco zero da capital paranaense. Excelente para algumas coisas, mas não muito interessante quando se fala em segurança pública.

 É comum termos confusões e brigas no Largo ou outro ponto do Centro, e acaba resultando em preocupação para quem comanda o Conseg Mercês-Vista Alegre. “Nós somos vizinhos do São Francisco e Centro, regiões com ações policiais diárias. O problema que a bandidagem foge para a Praça 29 de março, além de realizarem furtos de numeral de residência, bueiros e cabeamentos. Auxiliamos até esses bares que não pertencem a gente”, completou Regina.

São 19 Consegs espalhados por Curitiba

Curitiba conta com 19 Consegs espalhados pela capital atuando para resolver os problemas nas regiões, que são variados: desde ondas de arrombamentos, problemas com jovens, tráfico de drogas, praças e parques que viraram mocós. Anos de atuação fizeram dos Consegs ferramentas especiais para compreender as necessidades de cada um dos bairros da capital.

Por isso, a reportagem da Tribuna do Paraná entrou em contato com cada um deles para entender as dificuldades de cada região. Como é feito esse trabalho em Curitiba você acompanha na série de reportagens feita exclusivamente pelos repórteres da Tribuna Alex Silveira, Gustavo Marques e Eloá Cruz.

Onde achar o Conseg?

Caso queira ir em um Conseg próximo de casa para ser voluntário ou mesmo para fazer uma reclamação ou pedido, procure no site da Ceconseg o conselho mais perto da sua região, ou entre em contato via e-mail ( conseg@sesp.pr.gov.br) e telefone  (41) 3299-7928.

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