Curitiba é uma cidade que possui diversos estilos estruturais e com construções bem curiosas e inusitadas. Mas, nem sempre, na correria do dia-a-dia, conseguimos observar estes gigantes de concreto que saltam aos olhos. Pensando nisso que uma equipe de arquitetos criou o projeto Prédios de Curitiba, que começou como livro e se tornou uma plataforma virtual. A ideia é iluminar as mais diferentes histórias que existem em nossa cidade. Confira com a Tribuna um levantamento dos dez prédios mais curiosos de Curitiba.

O arquiteto Guilherme de Macedo, que é o idealizador do livro, contou que tudo começou ainda na faculdade. “Tinha um professor que promovia caminhadas urbanas a nível despretensioso mesmo. Conversávamos e questionávamos muita coisa. E o que nós identificamos é que não existia um espaço que relatasse a autoria ou até mesmo a história destes edifícios”. 

Guilherme percebeu que quando pesquisávamos sobre determinados prédios, aparecia apenas sobre aluguel e valor de venda. “Foi aí que comecei a pesquisar se daria para fazer algo de alguma forma e nesse momento vi um projeto em São Paulo, chamado Prédios de São Paulo. O proprietário da pagina sugeriu de fazer a mesma coisa em Curitiba, chamando de Prédios de Curitiba e embarquei de cabeça nisso”. 

Para ver como seria a aceitação da ideia, primeiro foi criada uma comunidade no Facebook. “A comunidade começou a crescer de vários modos e aos poucos fomos nos posicionando. Com a ajuda de alguns fotógrafos, que já faziam um trabalho rotineiro pela cidade, fomos dando corpo à ideia. A partir de então, eu ja imaginava que o projeto poderia se tornar um livro e comecei a buscar saídas de um projeto cultural”. O arquiteto conta que o projeto, inscrito na Fundação Cultural, foi aprovado entre os primeiros lugares, e aí foi possível ter calma para produzir o livro. 

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Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Livro que ultrapassou o papel

O livro Prédios de Curitiba foi feito em parceria com vários profissionais, que dedicaram seu tempo, percepção e conhecimento ao projeto. “Dividimos em equipes, cada equipe pegava cinco prédios e entregava pra gente o resultado. Queríamos que os textos sobre os prédios fosse algo natural no livro, orgânico mesmo, nada seguindo algum padrão específico, então cada grupo fez de um jeito”, comenta Guilherme.

Ao todo, foram 120 prédios pesquisados e listados, mas muito disso acabou ficando armazenado. “Tivemos que escolher porque percebemos que não caberia tudo no livro, então de 120, foram 40 prédios. Nesse recorte levamos em consideração a diversidade de prédios, estilos e autores também. Cortamos prédios institucionais, que são mais fáceis de conseguirmos informações, mas alguns, aqueles que são marcos, nós colocamos porque precisavam estar nessa primeira edição. Acabou sendo um recorte de 100 anos, de 1916 a 2016, quando o livro foi produzido”.  

Após o lançamento do livro, o arquiteto sentiu a necessidade de ultrapassar a parte cultural e de, a partir do projeto em si, estabelecer novas regras para os próprios projetos arquitetônicos. “Mudamos muita coisa em nosso próprio escritório, o Lona Arquitetos, e o Prédios de Curitiba acabou sendo nosso laboratório mesmo”.

A partir de então, surgia também o site Prédios de Curitiba, para permitir que o livro fosse além do papel. “Se o livro pode atingir mil, dez mil pessoas, o site iria muito além. Escolhemos o aniversário de Curitiba do ano passado para o lançamento e, desde então, o livro deixou de ser só um livro, se tornou uma plataforma mesmo”.

Foto: Letícia Akemi/Arquivo/Gazeta do Povo.

Dez prédios mais diferentes de Curitiba

Desse trabalho, o grupo de arquitetos que participou tirou o aprendizado de que há muitas vertentes que fazem a gente acabar criando uma conexão com um prédio. “Tem o aspecto visual, o aspecto histórico – que é aquele que pode ser até mais interessante porque trata não só do local, mas quem passou por aquele local -, também os aspectos mais simbólicos e geográficos, como o Palácio das Comunicações, que pode ser visto de vários pontos de Curitiba e é uma referência de localização para muitas pessoas”. 

Apesar de estarem sempre ali, muitas vezes os prédios passam despercebidos até mesmo por não sabermos muito sobre eles. “Quando a pessoa tem um espaço para se informar, passa a criar uma conexão. É um despertar. Por mais que pesquisemos, por exemplo, sobre o Edifício Tijucas, o prédio é vivo e sempre vai ter uma história nova a ser contada”, explica o arquiteto que foi convidado pela Tribuna do Paraná a selecionar dez prédios diferentes, sete deles que estão no livro Prédios de Curitiba, vamos lá:

Edifício Anita

O prédio foi criado na década de 50, por um jornalista que buscou um local para uso familiar, que fosse construído em frente a uma praça, a qual um dia receberia o seu próprio nome, o Largo Frederico Faria de Oliveira. O nome dado ao edifício resume a bela homenagem feita à sua esposa, Anita, com quem teve duas filhas. Apesar do porte baixo, o prédio é praticamente dono da esquina na trifurcação das ruas Cândido Lopes, Carlos de Carvalho e Ermelino de Leão. Porém, ao longo do tempo, acabou cercado por vizinhos gigantes, como os edifícios Tijucas e Souza Naves, além do Hotel Tibagi. De dois andares e coberto por trepadeiras, o Anita chama a atenção também por abrigar, no último andar, uma casinha. Sabia que ela foi construída quase 50 anos depois da inauguração?

Edifício Brasilino Moura

Conhecido também como “balança, mas não cai”, o edifício Brasilino Moura ganhou o apelido diferente devido à estética da fachada: um conjunto de esquadrias de ferro levemente inclinadas, emolduradas por ressaltos volumétricos azulados, as quais transmitem a sensação de estarem prestes a cair. Inaugurado em 1944, na época, seu tamanho acabou sendo um dos pivôs do enfraquecimento do Plano Agache, que previa o desenvolvimento urbano de Curitiba. Por conta do porte do prédio, sua construção não permitiria o alargamento da rua se assim fosse preciso para escoamento do tráfego de veículos no futuro.

Edifício Araucária

Com 17 andares, o edifício Araucária é um prédio que trouxe modernidade às obras curitibanas. Quando foi construído, já na década de 60, o desafio era elaborar uma obra rápida e, por isso, os arquitetos usaram um sistema construtivo no qual os extremos e o miolo foram construídos in loco, mas foram usados módulos de esquadrias pré-fabricados, o que representava grande avanço para a época. A primeira impressão ao passar pelo Araucária é a fachada vibrante e ritmada, que leva o nome da árvore símbolo do Paraná.

Edifício Governador 

Um prédio ousado, que tinha tudo para dar certo, mas na época não foi bem assim. Inaugurado em 1967, o edifício Governador, por ser um prédio redondo, foi um fracasso de vendas. O fracasso nas vendas também acabou afetando a ideia do criador do prédio, que planejava construir outro edifício redondo ao lado, mas que acabou não sendo feito. Seu formato circular era algo incomum e criava dúvidas do tipo: como mobiliar um quarto redondo? Apesar disso, a ideia era inovadora e até hoje é um dos prédios mais apreciados da Rua Presidente Faria.

Edifício Canadá

O lançamento do edifício Canadá marcou a época em que foi inaugurado, em 1963, porque foi o primeiro prédio de Curitiba com uma torre que abrigava amplos apartamentos, sendo uma única e exclusiva unidade por andar, com área generosa de 250 m2. Até hoje, com seu visual e esse diferencial de ser praticamente uma casa, é um dos mais procurados para venda. Inclusive, é muito difícil conseguir um apartamento livre por lá.

Edifício Casario

O edifício Casario pode ser considerado como um dos mais ousados de Curitiba, mas ainda assim é conhecido pela fama de “amado e odiado”. Por fugir aos padrões comuns, com sua estética diferente que remete a pequenas casas sobrepostas, o Casario divide opiniões e comentários. Apesar disso, quem mora no prédio, que fica na Avenida João Gualberto, não o abandona. 

Edifício Suite Vollard 

Quem mora em Curitiba já conhece bem a história do “prédio que gira”. A ideia do Suite Vollard era sensacional, mas da mesma forma que aconteceu com o edifício Governador, não foi bem aceita. Girando em seu próprio eixo, o prédio tem visão de 360 graus, permitindo com que todos os andares girem em ambos os sentidos, de acordo com a vontade de cada morador, mas não deslanchou. As vendas encalharam e o prédio até hoje é desocupado. 

Edifício Living Smart

Já imaginou morar num prédio em que o biarticulado passe por baixo de sua estrutura? Pois é isso que acontece com o Living Smart, que fica na Travessa da Lapa. O prédio originalmente foi inaugurado em 1994, mas passou por reformulação recente. O Living Smart chama a atenção de todos por estar justamente em cima da canaleta dos biarticulados, que chegou depois de sua criação. 

Edifício Brasil 500

O Brasil 500 é outro prédio redondo que também é “diferentão”. Criado para comemorar os 500 anos do Brasil, o prédio abriga um hotel e tem em sua decoração elementos que homenageiam nosso país. Localizado em uma região privilegiada da cidade, o prédio também chama a atenção por ser redondo e, mais, por dar a impressão de ser sustentado por dois pilares de concreto. 

Edifício Curitiba Trade Center

Quem nunca esteve pelo Centro de Curitiba e observou um prédio com um relógio no topo? O edifício Curitiba Trade Center é visível de vários pontos da cidade. Seu padrão, que remete aos prédios americanos e dos filmes de Hollywood, acabou dando também o apelido ao edifício de “torre do Batman”.