Paulo Roberto Goldbaun, de 66 anos, diz com todo o orgulho que o bairro onde mora, o Água Verde, tem um dos melhores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Ele tem razão. Segundo dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil de 2010, os parâmetros de renda, educação e saúde fizeram o bairro atingir o melhor grau de qualidade de vida da capital.

O bairro é densamente povoado, mas já foi formado por antigas chácaras. As águas do Ribeirão Água Verde cortava fazendas, desaguando no Rio Belém. As algas que formavam massas verdes na água doce do rio acabou dando origem ao nome do ribeirão, hoje totalmente canalizado, e também do bairro.

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Mesmo com o melhor IDH, o Água Verde está longe da perfeição. Tanto é que Paulo Goldbaun cansou de ser assaltado diversas vezes e resolveu tomar uma decisão: fazer parte do Conseg do bairro. “Eu tinha um vizinho que participava. Ele me convidou para a reunião e chegando lá havia um grupo bem simples, cerca de seis pessoas no entorno de uma mesa. Eles estavam definindo a próxima chapa e colocaram meu nome como vice-presidente”, lembra Paulo. Foi nessa primeira reunião, em 2012, que Paulo virou vice-presidente do Conseg, assumindo como presidente no final daquele ano, depois do presidente do conselho renunciar.

Assim que assumiu a presidência, Paulo decidiu realizar uma pesquisa para entender melhor os problemas da região. Um questionário simples foi dado aos moradores, com temas ligados à criminalidade. Com as respostas, Paulo entendeu quais eram os pontos problemáticos do bairro.

Algazarra e confusão na Feira Noturna

Ao mapear os pontos superperigosos do bairro, a equipe do Conseg liderada por Paulo encarou o primeiro problema: a algazarra e confusão de quase 300 jovens na esquina da Rua Mato Grosso com a República Argentina, durante a feira noturna. A confusão era tamanha que moradores, comerciantes e frequentadores da feira estavam assustados.

“Recebemos uma visita no Conseg de um dos moradores. Foi uma situação de uma garrafa arremessada, que quebrou a janela do quarto do filho desse morador. Por sorte, ninguém foi atingido. Ele disse: ‘duvido que você resolvam, é crônico e ninguém consegue resolver’. Procuramos a PM, a AIFU, e conseguimos com que eles fizessem uma blitz na quinta a noite”, relembra Paulo.

Antes da blitz, o comandante da AIFU naquela época mandou um pessoal à paisana para saber o que os jovens faziam na região. Os jovens, para a surpresa dos moradores, não eram do bairro. Eles vinham de outros bairros da cidade. “Aqui no Água Verde ninguém os conhecia. Os pais deles acreditavam que eles estavam estudando à noite”, conta o presidente do Conseg.

Na primeira operação, 44 jovens foram detidos, sendo 17 deles menores de idade. Com quatro operações, a AIFU levou um ônibus carregado de jovens para a delegacia. Os pais foram chamados e assumiram junto ao Conselho Tutelar o compromisso de ficar de olho nesses adolescentes. Depois das blitze, o comandante do 22º Batalhão da PM colocou uma viatura com soldados na região, como ação preventiva. “Conseguimos transformar o local. Os comerciantes lucraram bastante e as famílias voltaram a frequentar a feira na quinta-feira à noite. Problema resolvido”, comemora Paulo.

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Paulo Roberto Goldbaun, presidente do Conseg do Água Verde. Foto: Arquivo pessoal.

Perigo ao redor do Cemitério do Água Verde

O segundo caso problemático no Água Verde se situava nos arredores do cemitério. Paulo e os membros do Conseg receberam várias denúncias. Era impossível estacionar o carro sem que ele fosse assaltado. Os moradores chegaram a colocar placas de ‘cuidado’, ‘perigo’.

“Com essa demanda, pensamos numa solução com a qual eu acredito que seja uma ótima opção para qualquer lugar de Curitiba. Eu tenho um lema comigo: segurança pública é sinônimo de mais urbanização. Policiamento não é o que vai resolver. O assaltante vai para o lugar mais abandonado, escuro, porque ele entende que naquele lugar ele vai ser soberano, vai estar numa condição de que a vítima vai ser uma presa fácil”, explica Paulo.

O Conseg do Água Verde então foi visitar a Secretaria Municipal de Obras Públicas, para falar com o secretário sobre a ideia de criar uma pista de caminhada para os moradores naquela região problemática. Sendo um dos bairros de maior número de habitantes por metro quadrado, os moradores do Água Verde têm poucos locais para praticar esportes com segurança. “Percebemos que em volta do cemitério, se conseguíssemos iluminação e apoio policial, poderíamos fazer com que as pessoas fizessem atividade física naquela região”.

E assim aconteceu. Paulo pediu um projeto ao secretário, que foi mostrado aos moradores: asfaltamento da calçada e colocação de postes. Paulo foi também na Câmara Municipal. “Bati na Porta e pedi dinheiro para fazer o projeto. Consegui um pouco de verba com um vereador, outra parte com outro. Paralelo a isso, fui até o gabinete do prefeito e disse que precisava de iluminação. Ele foi simpático ao projeto, gostou. Na época, era o Gustavo Fruet. Ele disse, ‘olha Paulo, existe uma verba do Ministério das Cidades para iluminação pública. Vou incluir teu projeto'”, relembra.

Por fim, um professor de Educação Física do bairro se comprometeu a realizar treinamentos funcionais de corrida ao redor do cemitério. Ele assumiu a pista e promoveu o treino na praça, com o apoio da prefeitura. Atualmente, mais de 300 atletas correm todas as noites na região. O local se tornou bem mais seguro, com redução de 80% da criminalidade. “Antes, era um lugar perigoso, pouco iluminado, frequentado por assaltantes, drogados. Atualmente temos famílias, atletas, pessoas praticando atividade física. Inauguramos em maio de 2019”, revela.

Cabeça cheia de ideias

As propostas de Paulo para o Água Verde não param por aqui. O presidente do Conseg já transformou uma praça abandonada na Avenida Água Verde em local para a prática de atividade de Tai Chi Chuan, já lutou para alterar o trânsito na região e deixá-lo mais seguro para motoristas e pedestres, e muitas outras tantas coisas.

“Urbanização, esse é o meu slogan. Segurança pública é sinônimo de urbanização. Temos que entender a força da comunidade. Os políticos precisam do nosso respaldo para promover melhorias e temos que cobrar deles as soluções. Quanto mais unidos nós tivermos, melhor vai ser. Conseg é um ótimo elo de ligação com as autoridades públicas de maneira geral”, defende o presidente.

Quer entrar em contato com o Conseg do Água Verde?

Se você mora nos arredores do bairro Água Verde e quer participar das reuniões do Conseg, entre em contato com o Paulo pelo WhatsApp (41) 99115-5109. Os encontros acontecem uma vez ao mês, no Shopping Água Verde, toda última terça-feira do mês, às 19h30.

Nas próximas reportagens, você vai saber mais detalhes sobre os problemas de cada região e como os presidentes dos conselhos estão trabalhando para revolver cada um deles. Fique de olho aqui na Tribuna!

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