bairro Portão em Curitiba é considerado por muitos como o coração da cidade. Ponto importante para mais de 50 mil pessoas que residem em um bairro predominantemente residencial, mas com diversas opções de comércios e serviços. Tais facilidades contribuem para que os moradores não precisem se deslocar ao Centro quando precisam de algo. Pode-se dizer que o bairro tem praticamente “vida própria”.

Essa denominação de um bairro forte, pujante e cheio de vida já faz parte da história. Aliás, o nome Portão surgiu após a instalação de um posto de fiscalização na região para acabar com a briga entre lavradores e tropeiros. A passagem e o comércio de animais procedentes de Curitiba e dos Campos Gerais levaram à instalação de cercas e portões. 

LEIA TAMBÉM:

>> Por trás do trabalho dos Consegs: você sabe exatamente o que eles fazem?

>> Conseg Água Verde: exemplo de gestão por trás do melhor IDH de Curitiba

Vários pontos importantes de Curitiba estão localizados no bairro. A Igreja do Portão, o terminal de ônibus, o tradicional Clube Literário, e colégios como o João Bagozzi e a Escola Municipal Papa João XXIII, a primeira escola pública da capital, são alguns dos lugares conhecidos pelos curitibanos. Vale reforçar que no Portão, os shoppings são maioria – Ventura e Palladium abraçam a comunidade.

Com toda essa magnitude e moral, é preciso ter alguém com comando à frente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Portão. Aliás, é uma verdadeira guardiã que não mede esforços para proporcionar segurança aos moradores do bairro. Trata-se da Doroti Szeremeta Rolim Valeixo, 62 anos, aposentada, e que está na terceira gestão como presidente do Conseg Portão.

A entrada dela no Conselho ocorreu de uma maneira inesperada e traumática. Em 2015, bandidos entraram na residência da família e causaram pânico. A partir daquela cena, Doroti resolveu agir e foi aconselhada por um amigo a participar de um grupo de voluntários que ajudam no plano da segurança do bairro. “Fomos assaltados a mão armada e percebi que precisava mudar aquela situação. Não era somente meu caso, e sim, a preocupação de outros moradores que lamentavam a falta de segurança. Um amigo que mora no Centro comentou dos Consegs, e reativamos o nosso conselho”, disse Doroti.

A partir da reativação, Doroti e sua equipe de trabalho começaram a procurar parcerias na comunidade para reforçar a segurança nas ruas. Outra questão importante, é o apelo que a direção faz para conseguir adeptos nas reuniões, pois lamentar nas esquinas e nas redes sociais não vai alterar o objetivo do projeto. “O vizinho precisa tomar consciência e deixar o egoísmo de lado. É importante montar células para um bem comum. O seu vizinho sabe mais do que acontece dentro da sua casa que o parente que mora em outro bairro da cidade. Queremos resgatar a força do bem, e a polícia está do nosso lado”, reforçou a presidente.

LEIA TAMBÉM:

>> Curitiba terá fábrica de vacinas da Fiocruz e de medicamentos contra o câncer e mais doenças

>> Preço da gasolina cai em postos de Curitiba para menos de R$ 7; veja onde

Para atrair mais voluntários ou mesmo pessoas que possam compartilhar ideias ou pedidos, o Conseg Portão tem realizado reuniões na casa de moradores com o propósito de aumentar a intimidade e evitar desculpas que o encontro é longe de casa. “A pandemia da Covid-19 resultou um pouco disso, mas as pessoas têm gostado. Teve um problema naquela rua, fazemos a reunião ali mesmo com a presença da Guarda Municipal e da Polícia Militar. As pessoas recebem orientação, pois não adianta ter somente a placa na frente de casa do Conseg, pois o crime muda toda hora a estratégia. A nossa relação com as autoridades ajudou a coibir o crime”, comentou Doroti.

Doroti Valeixo, presidente do Conseg Portão. Foto: Gerson Klaina / Tribuna.

Ponto para o Conseg Portão

Um dos maiores desejos do Conseg Portão para a segurança pública era ter uma sede estruturada para a Polícia Militar. O 13° Batalhão da Polícia Militar é responsável pelo policiamento ostensivo e atendimento de ocorrências em 14 bairros da Região Sul de Curitiba. Atende 480 mil pessoas, ou seja, passa as fronteiras do Portão.

Apesar de abraçar outros bairros, Doroti foi determinante para conseguir um espaço maior de trabalho para os policiais que precisam de um mínimo de estrutura física para combater o crime. A partir disso, foi atrás de parceiros para qualificar o imóvel na Praça Tito Schier, que antes era usado pela Guarda Municipal. Com recursos do Grupo Tacla e Ventura Shopping, responsáveis pelos dois grandes empreendimentos comerciais que ficam em frente ao local, a construção de 360 metros quadrados, preservou as características da praça. Não houve corte ou remanejamento de árvores nem perda do espaço. “É um orgulho, pois foram três anos de uma batalha árdua. Fomos persistentes demais, e a ideia surgiu em uma reunião com policiais que moram no bairro. Eles falaram da necessidade e ajudaram demais. Recebemos muitas negativas, mas não desistimos. O estado não gastou nada”, relembrou a presidente.

Após a entrega da sede que ocorreu em 2019, a Guarda Municipal assumiu o módulo fixo da Praça Bento Munhoz da Rocha, na Avenida Presidente Kennedy.

+Viu essa? Gigante dos salgadinhos: Elma Chips nasceu em Curitiba com um forno caseiro

Próximo objetivo

Um dos pontos atuais de preocupação do Conseg Portão está no abandono do imóvel da prefeitura que era utilizado pela Associação Cultural Chinesa do Paraná, a ACCPAR. Desocupado e abandonado, a região ficou perigosa para possíveis assaltos ou furtos. “É um pedido dos moradores, e estamos conversando com a direção da associação e prefeitura. Ideia é revitalizar, pois a construção é em estilo chinês, mas está sem uso há 10 anos”, completou a guardiã do Portão.

Quer entrar em contato com o Conseg Portão?

Se você mora nos arredores do bairro Portão e quer participar das reuniões do Conseg, entre em contato com a presidente Doroti pelo e-mail doroti@valeixo.com.

Nas próximas reportagens, você vai saber mais detalhes sobre os problemas de cada região e como os presidentes dos conselhos estão trabalhando para revolver cada um deles. Fique de olho aqui na Tribuna!

Outros Consegs de Curitiba

Água Verde: Exemplo de gestão por trás do melhor IDH de Curitiba

Alto Boqueirão: Crime entre facções, tráfico de drogas e furtos: as ‘pedras no sapato’ do Conseg Alto Boqueirão

Batel: No bairro mais rico de Curitiba, luxo atrai a violência e causa medo

Cajuru: ‘Mapeamento da violência’ vira estratégia de segurança no Cajuru

Capão Raso: Furtos que alimentam o tráfico tiram o sossego dos moradores

Centro Cívico: Algazarra, abusos sexuais, brigas e álcool: Centro Cívico não aguenta mais

Guabirotuba: Bairro sofre com roubo de celulares, ‘saidinha’ de banco e furtos

Jardim Botânico: Moradores de rua, tráfico de drogas e furtos: O Jardim Botânico “escondido” atrás da estufa

Jardim Social: Mais de 100 câmeras afastam a violência no bairro Jardim Social

Lindoia, Fanny e Novo Mundo: Furtos de metal já são triste cotidiano no Lindoia, Fanny e Novo Mundo

Mercês e Vista Alegre: Confusões da boemia de Curitiba ‘respingam’ nas Mercês e Vista Alegre

Portão: Cheio de vida, bairro conquistou próprio módulo da PM

São Braz: Ameaças em avenidas e “vagas impossíveis”. Problemas no São Braz vão além da segurança

Pantanal

Tibério proíbe Muda de falar com Alcides

Além da Ilusão

Úrsula rouba o bebê de Heloísa

Novidades

Comédia com Paulo Gustavo e mais filmes e séries chegam nesta semana na Netflix, confira!

Carreira

Ganhadora do prêmio de pior atriz a vida rodeada de polêmicas, quem é Anne Heche?