Oito presos de uma facção criminosa, que atua dentro e fora dos presídios em todo o Brasil, foram transferidos da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP) para a unidade federal de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A remoção aconteceu na manhã de terça-feira, mas só foi divulgada nesta quinta-feira (16).

Os oito fazem parte da cúpula desta facção no Paraná e teriam envolvimento ativo em motins, rebeliões e crime organizado nos presídios e fora deles, na maioria com reféns. Todos eles foram alvos da Operação Alexandria ­ deflagrada em dezembro 2015 e que resultou na prisão de quase 800 pessoas suspeitas de integrar esta facção criminosa.

“A remoção estava pendente há mais de um ano. Agora, de uma maneira mais definitiva, eles ficam isolados, interrompendo a comunicação desses presos que, inclusive, tiveram participação em rebeliões espalhadas pelo país. É uma medida muito importante que vem trazer mais tranquilidade para o Paraná”, explicou o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita.

Detentos

Entre os detentos transferidos está Ozélio de Oliveira, que teria liderança sobre a facção criminosa no estado de Roraima. Ele seria suspeito de envolvimento na chacina ocorrida no início do ano em um presídio de Boa Vista, capital de Roraima. Investigado pela Polícia Federal em 2014 na Operação Weak Link, para desestruturar a facção criminosa em Roraima, Ozélio foi condenado a 83 anos de prisão pelos crimes de roubo, furto e homicídio.

Outro removido para a unidade federal de segurança máxima é Alessandro Souza dos Reis, condenado a mais de sete anos por roubo. Ele é suspeito de ser uma das lideranças da facção no Paraná. As ações desta quadrilha passavam quase sempre por ele. Outro preso apontado também como líder, ao lado de Reis, é Claudemir Guabiraba, que foi transferido para o presídio de Catanduvas no final do ano passado. Segundo a PF, ele é suspeito de envolvimento na morte de um agente penitenciário em Cascavel.

Transferência

Os detentos deixaram a carceragem da PEP por volta de 9h da terça-feira (14) em direção ao aeroporto Internacional Afonso Pena, escoltados por policiais militares do Batalhão de Policia de Guarda (BPGd), de agentes da Seção de Operações Especiais (SOE) e PF, com o apoio do GOA (Grupamento de Operações Aéreas) da Polícia Civil. Lá eles embarcaram num avião da PF para Mossoró.

Inicialmente seriam removidos 12 detentos, mas Marlon Magno Freitas Castelhano morreu na troca de tiros com a polícia no dia 15 de janeiro, quando presos tentaram fugir em massa da PEP. Renato Maciel Dias e Rafael Antônio dos Santos conseguiram fugir e são procurados pela polícia. Thiago dos Santos fugiu do regime semiaberto em 2 de janeiro ­ menos de um mês após progredir de regime.